A disputa presidencial no Peru segue marcada pela indefinição entre dois candidatos: Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, e Keiko Fujimori, do Força Popular. O segundo turno ainda não abriu definição clara, e a apuração pode se estender até o fim de junho ou início de julho. A disputa ocorre em meio a um Congresso fragmentado e a uma crise de legitimidade que perdura há anos.
Analistas destacam que o Peru vive um ciclo de alternância entre governos de esquerda e direita, com turbulência institucional recente. A votação tende a refletir a rejeição ao status quo e a uma visão de que o próximo presidente pode não concluir o mandato de cinco anos. A governabilidade, segundo especialistas, dependerá do futuro Congresso.
Além disso, o país encara desafios como criminalidade e inflação, associáveis ao que o vencedor herdará no Legislativo. A apuração encontra entraves em zonas rurais e no exterior, onde a contagem pode variar, mantendo a possibilidade de recontagens e questionamentos judiciais.
Cenário político no Peru
Pedro Feliú Ribeiro, da USP, afirma que eleições apertadas são comuns na região. Segundo ele, o Legislativo tende a manter a instabilidade, mesmo com a criação de um Senado. A leitura é de que a vitória de um dos lados pode influenciar a polarização, sem retornar a maioria no Parlamento.
Rafael Antonio Duarte Villa, também da USP, comenta que o resultado parcial indica um país dividido, com influência da polarização na América Latina. Ele aponta que o Peru pode pender mais para o conservador ou para a esquerda, dependendo dos votos apurados.
Pedro Dallari ressalta que o desempenho final depende da votação rural, que favorece Sánchez, e do Exterior, com tendência a favorecer Fujimori. A possibilidade de impugnação judicial é considerada, mas não é descartada a longo prazo, caso haja diferença muito próxima entre os candidatos.
Olhar para a Colômbia
Na Colômbia, o segundo turno também está próximo, entre Iván Cepeda, da esquerda, e Abelardo de La Espriella, da direita. O primeiro turno indicou vantagem de La Espriella, com 43% contra 40% de Cepeda, sinalizando uma disputa acirrada.
Especialistas reforçam que há paralelos entre Peru e Colômbia, com margens apertadas e disputas entre esquerda e direita. Contudo, a Colômbia pode enfrentar maior volatilidade política caso o resultado final seja muito estreito, gerando tensões sociais e institucionalidade mais elevada.
Analistas apontam que, se a Colômbia não conseguir resolver rapidamente a governabilidade, o impacto pode se estender a parceiros regionais. A avaliação é de que o Peru já viveu períodos de destituição e renúncia, o que influencia a percepção de estabilidade na região.
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