A fundação global da resposta ao HIV enfrenta riscos crescentes devido a cortes de financiamento e ao endurecimento de leis de direitos humanos, alerta a UNAids. Winnie Byanyima, diretora executiva da agência, diz que isso representa a maior ruptura desde o início da resposta ao HIV.
O relatório da UNAids aponta que, apesar de quedas históricas em mortes por AIDS e em novas infecções, o avanço pode retroceder se não houver retomar de compromissos. No ano passado, foram registradas 570 mil mortes relacionadas à AIDS e 1,2 milhão de novas infecções.
Observa-se queda brutal na ajuda internacional: cerca de 23% a menos em 2025. Nesse contexto, a testagem para HIV caiu 22% em países com os maiores índices da doença, agravando o diagnóstico tardio e a transmissão.
A crise de financiamento também afetou serviços de prevenção, como distribuição de preservativos e acesso a antirretrovirais. Em 2024, esses serviços recebiam apenas 11% do gasto com HIV em países de baixa e média renda, segundo o relatório.
Além disso, o aumento de leis restritivas contra a população LGBTQIA+ é destacado como ameaça à epidemia. Organizações comunitárias, que fornecem serviços a grupos de alto risco, enfrentam retração de operações e de apoio financeiro externo.
Desafios e impactos
A diretora aponta que novas opções preventivas, como uma droga injetável semestral, podem ajudar, desde que ampliadas e escaladas. O relatório cita o risco de surgimento de novas infecções e de mortes por atraso no tratamento.
Contexto político e institucional
O documento ressalta ainda que cortes de financiamento interno não compensam a perda externa, mantendo a tendência de menos investimentos em prevenção. A UNAids também sofre com pressões orçamentárias e discussões sobre seu papel futuro.
Perspectivas e próximos passos
Byanyima afirma que um grupo de trabalho apresentará propostas à diretoria em outubro. O objetivo é manter um programa conjunto menor, porém mais disperso, com núcleo de liderança dentro das Nações Unidas.
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