A tolerância de Israel frente ao programa nuclear do Irã é apontada como entrave central nas negociações entre EUA e Irã. A avaliação é do professor Augusto Teixeira, em entrevista à CNN Brasil no domingo (14). Ele destaca que o papel de Israel envolve segurança regional e condiciona caminhos diplomáticos.
Segundo o professor, qualquer mesa de negociação não envolve apenas Washington e Teerã. Israel funciona como interlocutor relevante, com interesses estratégicos que afetam o andamento das tratativas e a relação entre líderes de ambos os lados.
Entre os temas discutidos, Teixeira cita três pontos-chave: o programa nuclear do Irã, o fim do bloqueio ao Estreito de Ormuz e o alívio financeiro com a retirada de sanções. Países como Catar, Turquia e Paquistão aparecem como apoiadores.
Pontos centrais da negociação
A prática regulatória do programa nuclear é descrita como um vácuo regulatório em aberto desde a saída dos EUA do JCPOA. A demanda iraniana por normalizar o comércio e reduzir sanções também compõe a agenda negociadora.
Outro tema destacado é a exigência do Irã para suspensão de bloqueios marítimos e a recuperação de recursos congelados. A viabilidade de um acordo, segundo Teixeira, depende de como esses pontos são colocados pelos atores regionais.
Papel regional e atores envolvidos
O Paquistão é citado como ator estratégico, cujo apoio é considerado relevante para o avanço das tratativas. Já o Irã é visto como reticente, adotando posição firme sobre assuntos que julga cruciais para sua segurança e influência regional.
A diferença entre posições de EUA e Israel é enfatizada pelo especialista. Enquanto Washington pode aceitar compromissos com o programa nuclear, Tel Aviv vê a questão como existência crucial, o que eleva o nível de exigência na negociação.
Contexto interno do Irã
Teixeira aponta que o resultado depende de quem comanda o país. Grupos pragmáticos teriam mais interesse em encerrar conflitos, mas a Guarda Revolucionária ganha espaço político e tende a adotar postura mais rígida.
A ausência pública do Aiatolá também é citada como fator de instabilidade interna. O Irã acredita ter capacidade de resistência maior do que os EUA, que enfrentam ciclos eleitorais que podem influenciar as decisões.
Risco de nova escalada regional
O especialista alerta que, mesmo com cessar-fogo, o Irã tem se reabastecido militarmente e se reestruturado. Em caso de nova flare-up entre EUA e Israel, o Irã estaria menos degradado do que no início do cessar-fogo.
Além disso, o Irã manteria capacidade de afetar infraestruturas críticas na região, como sistemas de dessalinização, e de impactar bases militares americanas. O cenário é considerado complexo para todos os envolvidos.
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