Albert Corrieri, francês de 104 anos, acionou a Corte Europeia de Direitos Humanos para receber pagamento por horas trabalhadas na Alemanha durante a Segunda Guerra. O pedido, divulgado nesta segunda (15), envolve trabalho forçado entre 13/03/1943 e 15/04/1945 em Ludwigshafen. O valor é de € 43.200, equivalente a cerca de R$ 230 mil.
O homem foi levado à Alemanha aos 20 anos, no âmbito do Serviço de Trabalho Obrigatório (STO) imposto pelo regime de Vichy. Em território alemão, ele atuou como auxiliar em um restaurante em Marselha antes de ser enviado a um campo de concentração, onde carregou vagões de carvão e sofreu ferimentos.
A vítima afirma ter recebido tratamento de escravo, com jornadas longas, sem remuneração, sob ameaça de armas. O caso surgiu após o pedido de reparação ser rejeitado pela Justiça francesa, levando Corrieri a buscar reparação pela via europeia.
Contexto histórico
Cerca de 600 mil franceses foram enviados à Alemanha entre 1942 e 1944 para sustentar o esforço de guerra nazista. Muitos foram enganados pela propaganda do regime de Vichy, mas a maior parte foi forçada a partir.
No terreno legal francês, existe a possibilidade de indenização por danos no âmbito do STO desde 1951. Corrieri já recebeu compensação por danos, mas sustenta que o pagamento pelas horas trabalhadas também é devido.
A defesa sustenta que a luta envolve uma dívida histórica do Estado francês com sobreviventes, que hoje são poucos. O advogado Michel Pautot diz que a região precisa reconhecer a escravidão ligada à Segunda Guerra e criar um fundo de compensação.
Perspectiva jurídica
O caso envolve o pleito na Corte Europeia de Direitos Humanos, após rejeições nacionais. O objetivo é obter o pagamento correspondente aos dias de labor forçado, conforme o período mencionado.
A defesa reforça que o tempo é curto e que a idade avançada de Corrieri torna a via europeia a única esperança. O processo pode abrir precedente para outros ex-trabalhadores do STO.
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