A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou nesta segunda-feira (15) que a resposta à epidemia de ebola na República Democrática do Congo é insuficiente diante da velocidade de propagação. Kate White, coordenadora médica de emergência da MSF no país, descreveu lacunas perigosas na resposta sanitária. Segundo ela, um mês após a declaração, a doença avança mais rápido que as ações.
A MSF destaca que, apesar da intensificação das ações, ainda existem falhas em diagnóstico, vigilância, rastreamento de contatos e mobilização comunitária. A epidemia foi declarada em 15 de maio, marcando o 17º surto no território congolês, que tem mais de 100 milhões de habitantes. A OMS emitiu alerta internacional dois dias depois.
Segundo dados oficiais, já foram registrados 782 casos e 181 mortes, com taxa de letalidade de 23%. A MSF questiona esses números, afirmando que podem representar apenas parte da realidade. A ONG alerta para fragilidades na triagem e no acesso a testes, especialmente em áreas inseguras.
Desafios na detecção e resposta
A OMS informou que a epidemia continua a se propagar, ainda que haja melhoria no rastreamento de contatos, com pouco mais de 70% monitorados, ante 45% no início de junho. Frédéric Lai Manantsoa, da MSF, diz que ainda é possível conter, desde que haja ação rápida.
A triagem segue entre as principais fragilidades, mesmo com avanços laboratoriais e testes móveis. Em regiões como Kivu do Norte, apenas um laboratório analisa amostras de sangue com prazos longos. Em Ituri, há medo e desconfiança entre moradores frente às equipes de resposta.
A MSF informa envio de equipes a zonas remotas e instáveis para reforçar detecção e resposta a novos alertas, buscando ampliar a cobertura das ações de saúde pública na região. A situação permanece sob monitoramento internacional. AFP acompanha.
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