Stephanie Arcanjo viveu por cinco anos ao lado de um homem que se apresentava como Eric Fauchere, mas era, na verdade, um espião russo infiltrado no Brasil. A revelação veio somente em 2023, quando a Polícia Federal notificou a brasileira para depor e ela passou a conhecer a identidade do ex-companheiro.
O relacionamento começou em 2018, após um encontro em uma balada na Vila Olímpia, em São Paulo. Ele contava uma história de investidor brasileiro criado na França, filho de uma portuguesa e uma francesa. Estabeleceram juntos a relação e a parceria empresarial, incluindo a criação da joalheria Esfel Jewelry, instalada perto do Masp, na Avenida Paulista.
O casal chegou a morar em Brasília após a pandemia, onde a sociedade planejava ampliar operações. Stephanie administrava a empresa no Brasil, enquanto o parceiro dizia estudar pedras preciosas em França e participava de encontros em francês por videoconferência, sem apresentar certificados.
Conflitos surgiram com o tempo, especialmente em temas de raça, classe e política. A tensão cresceu após a Rússia declarar guerra à Ucrânia, em 2022, quando o então companheiro passou a discutir mais sobre política e a realizar viagens frequentes. Ele também desencorajou o curso de Ciências Políticas que Stephanie iniciava.
Em dezembro de 2022, a Polícia Federal prendeu Sergey Vladimirovich Cherkasov, portando passaporte falso e usando o pseudônimo Viktor Muller no Brasil. O fato fez com que o relacionamento se desestruturasse, com o parceiro sumindo de forma repentina e sem explicações.
Eric reapareceu em 2023, pedindo para que fechassem a joalheria e entregassem a documentação a um homem desconhecido, que apareceu em um estacionamento com uma maleta. A brasileira então passou a desconfiar de que havia algo ilegal envolvido.
A mudança definitiva ocorreu quando a PF confirmou a identidade de Eric. O homem, que utilizava o nome Aleksander Andreyevich, teria origem na Rússia ou no Oriente Médio. A atriz declara que a revelação reverbera como uma ferida aberta, mas que tenta seguir adiante.
A PF não comenta casos sob investigação, mas a história de Stephanie expõe a complexidade de relações com pessoas envolvidas em atividades de espionagem. O relato permanece como testemunho de uma experiência de vida marcada por segredos e manipulações.
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