O cessar-fogo acordado entre Irã e EUA começa a — pelo menos momentaneamente — reduzir a intensidade do conflito no Líbano após quinze semanas de confrontos que deixaram cerca de 3.800 mortos e mais de 11.500 feridos, a maioria civis. O acordo prevê uma suspensão dos combates, mas não a retirada do exército israelense, que ocupa cerca de 10% do território libanês. No sul do país, houve um alívio tímido com o retorno de deslocados, principalmente nas áreas ao norte do rio Litani, ainda que as casas atingidas e as áreas rurais permaneçam degradadas.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, informou aos líderes libaneses sobre a entrada em vigor imediata do cessar-fogo por 60 dias, após conversa com o presidente libanês, Joseph Aoun, e o presidente do Parlamento, Nabih Berry. O Hezbollah reiterou que continua comprometido com a defesa do território e da soberania do Líbano até a retirada completa de Israel e a libertação de detidos libaneses.
A realidade no terreno, no entanto, segue cercada de cautela. Em Beirute, analistas apontam que a continuidade do cessar-fogo depende de desfechos políticos internos e da maneira como Israel manterá a sua posição nas áreas ocupadas. O líder druso Walid Jumblatt advertiu que só acreditará no acordo quando cessarem os bombardeios e a demolição de residências no sul, sinalizando ceticismo entre parte da população. O Hezbollah também pressiona pela suspensão das negociações diretas com Israel, enquanto autoridades libanesas divergem sobre o formato de diálogo mais adequado.
Pontos-chave do acordo, segundo Araghchi, incluem a expectativa de iniciar novas negociações entre Irã e EUA na sexta-feira, data prevista para a assinatura do memorando. O objetivo é chegar a um entendimento final que encerre as hostilidades em todos os fronts, inclusive no Líbano, segundo o chanceler iraniano. A expectativa é de que as negociações avancem com foco na estabilidade regional e na cessação dos confrontos entre israelenses e grupos apoiados pelo Irã.
Entre na conversa da comunidade