A propagação de prisões offshore ganha espaço na América Latina, com o foco em mecanismos de encarceramento em massa sob influência de políticas americanas. O tema ganhou reforço após a visita do presidente equatoriano Daniel Noboa aos Estados Unidos, enquanto Donald Trump seguia trajetória de alinhamento entre governos da região e Washington. Noboa recebeu honrarias e participou de sessões na OEA, defendendo fortalecimento da parceria com os EUA no combate ao crime organizado.
A estratégia envolve abrir espaço prisional dos países para a custódia de deportados norte-americanos, sob a justificativa de gerenciar a violência associada ao crime organizado. Nayib Bukele, de El Salvador, já utiliza esse modelo e recebe cerca de US$ 6 bilhões anuais para custodiar os deportados. Noboa, que busca ampliar esse uso, inaugurou projetos penais com consultoria de equipes ligadas ao Cecot, centro de confinamento de El Salvador.
Expansão do modelo na região
El Salvador inaugurou, em 2023, o Cecot, um complexo de segurança máxima que usa tecnologias estrangeiras. Em instalações de alta restrição, há relatos de tratamentos degradantes, incluindo suspensão de visitas e limitações à assistência jurídica. O país recebe recursos para manter esses presos de fora do território norte-americano.
Em 2024, Noboa abriu o Complexo Penitenciário El Encuentro, na província de Santa Elena, com uso de padrões semelhantes aos aplicados em Cecot. A iniciativa envolve impactos ambientais locais significativos e destaca a cooperação entre governos para reduzir o crime por meio da repressão carcerária.
Desdobramentos e críticas
Dados de organizações de direitos humanos indicam que a expansão prisional não tem mostrado resultados consistentes no combate ao crime. Em El Salvador, segundo Cristosal, a população carcerária aumentou expressivamente durante a década, com questionamentos sobre transparência e condições de encarceramento.
No âmbito dos Estados Unidos, especialistas observam que o sistema prisional cresceu de forma expressiva nas últimas décadas, atingindo cerca de dois milhões de presos. O crescimento tem impactos desproporcionais sobre minorias e levanta debates sobre direitos humanos e justiça criminal.
Cenário atual e perspectivas
A abordagem de encarceramento em massa, promovida por líderes regionais alinhados a Washington, permanece sob escrutínio internacional. Analistas apontam que, sem melhoria em condições materiais e respeito aos direitos básicos, o modelo pode ampliar tensões sociais sem assegurar queda consistente na criminalidade.
Entre na conversa da comunidade