A União Europeia avalia criar barreiras às importações da China inspiradas nas políticas da gestão de Donald Trump. Alemanha apoia formalmente a proposta francesa para conferir à UE novos poderes para aplicar tarifas de forma célere contra Pequim. A iniciativa visa proteger o parque fabril europeu da inundação de produtos chineses baratos.
Parlamentares e diplomatas dizem que Paris lidera o movimento, com Berlim alinhando-se ao grupo que inclui Polônia, Holanda e Bélgica. A defesa do mecanismo será discutida na próxima cúpula de líderes europeus, em meio ao agravamento do déficit comercial com a China e a preocupação com a segurança econômica do bloco.
Mecanismo inspirado na legislação dos EUA
A proposta de Emmanuel Macron baseia-se na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, que autoriza o Executivo a adotar tarifas ou cotas contra países com práticas desleais. O objetivo é permitir ações rápidas da Comissão Europeia contra distorções de mercado.
A UE pretende evitar danos colaterais comuns das salvaguardas atuais, consideradas lentas. A ideia é enfrentar a sobrecapacidade chinesa, alimentada por subsídios estatais, que abastece setores como painéis solares e baterias automotivas com estoques inflados.
Dados da OCDE sustentam a avaliação de subsidiação excessiva pela China, embora Pequim negate acusações. A ofensiva surge em contexto de desemprego elevado e fechamento industrial em diversas regiões do bloco.
Contexto e desdobramentos
A pressão interna aumenta o apoio a medidas protecionistas, diante de disputas comerciais já provocadas pela UE, como a aplicação de sobretaxas a veículos elétricos chineses. Em retaliação, a China elevou tarifas sobre alimentos europeus e restringiu o fornecimento de terras raras.
Defensores do novo instrumento afirmam que a UE chegou a um ponto em que ações robustas são necessárias para sustentar a economia a curto e médio prazo. O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, destacou, em carta à Comissão, a necessidade de escolhas estratégicas frente à China.
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