O governo da Bolívia fechou um acordo com a Confederação dos Trabalhadores da Bolívia (COB) após 50 dias de protestos que paralisaram partes do país. O entendimento foi firmado nesta sexta-feira, em La Paz, como passo para diminuir incidentes e abrir espaço ao diálogo. A assinatura ocorreu no palácio presidencial, com o presidente Rodrigo Paz na pauta de negociações.
Os protestos mobilizaram trabalhadores, camponeses, mineiros e professores, que ocupavam estradas e depósitos. Barricadas de contêineres denunciaram insatisfação com as reformas propostas pelo governo e com a crise econômica que afeta o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes.
O governo afirma que os bloqueios de estradas geraram perdas superiores a US$ 1,2 bilhão (aproximadamente R$ 6,2 bilhões). A COB sustenta que o acordo visa abrir espaço para decisões participativas e construção de consenso entre trabalhadores e autoridades, sem excluir outros setores.
Apesar do acordo, o impasse permanece. Associações rurais alinhadas a Evo Morales e a Luis Arce não participaram das negociações e mantêm protestos, especialmente na região de Cochabamba. A Tupac Katari, federação rural influente, indicou que continuará pressionando até atender reivindicações.
A prioridade dos manifestantes inclui libertação de presos por protestos, respeito às organizações indígenas e respostas à crise econômica. Em La Paz e El Alto, há relatos de filas em postos de gasolina, dificuldades de abastecimento e falta de insumos médicos.
Paz, no poder há sete meses, afirma que parte das mobilizações pode ter apoio de grupos vinculados ao narcotráfico. O governo chegou a sancionar uma lei que amplia poderes para decretar estado de exceção, permitindo ações militares para desobstruir rodovias.
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