No último domingo, 14, cerca de 300 pessoas ocuparam o auditório da Unibes Cultural, em São Paulo, para uma palestra sobre desinformação. O encontro revelou como guerras modernas são travadas antes do combate físico.
O Major Rafael Rozenszajn, porta-voz em português das Forças de Defesa de Israel (IDF), apresentou um diagnóstico sobre a influência de conteúdos digitais no conflito do Oriente Médio. O foco foi a leitura de narrativas no ambiente virtual.
Segundo Rozenszajn, a disputa pela verdade se integrou às estratégias bélicas. Em tempos de algoritmos e vídeos curtos, a percepção pública pode superar dados oficiais bem fundamentados.
A discussão mostrou que a desinformação não é apenas propaganda tradicional, mas memes e vídeos de quinze segundos com lógica narrativa simples. O objetivo é alcançar alcance emocional e viralizar.
A palestra integra uma tour pelo Brasil que passou por Belo Horizonte e Goiânia, com o objetivo de alcançar públicos diversos, além da comunidade judaica. A ideia é discutir o fenômeno de forma ampla.
A apresentação aponta que guerras reais não se reduzem a narrativas fáceis. Quando uma história simplificada prevalece, a percepção global é moldada antes da verificação de fatos.
A Industrialização da Mentira
Casos amplamente divulgados ajudam a entender o padrão. Em Gaza, o hospital Al-Ahli foi alvo de acusações de bombardeio, que rapidamente viralizaram, ainda que evidências apontassem para um míssil falho lançado por um grupo aliado ao Hamas.
Outro caso envolveu alegações de mortes de civis em filas para alimentos. Vídeos mostraram que tiros vieram de operativos do Hamas, inseridos entre civis. As gravações, porém, já haviam sido difundidas e discutidas amplamente.
Rozenszajn questionou como lidar com o excesso de informações. Segundo ele, responder a tudo pode ampliar mentiras; silenciar pode permitir que elas dominem o debate público, especialmente com dados de inteligência.
O Major citou ainda que credibilidade se testa em crises e requer contexto, linguagem adequada e humanidade na abordagem de fatos. A leitura crítica emerge como ferramenta de leitura de narrativas.
Brasil entre os países com maior apoio a Israel, segundo o Pew Research Center, revela que o Brasil teve melhora em três métricas de percepção em 2026: apoio, rejeição total e rejeição radicalizada, em toda a população pesquisada. Apenas a Grécia teve traço parecido, por motivo regional específico.
A delegação brasileira, portanto, sugere que a desinformação não é tema restrito a um conflito distante. Em um país com alto consumo de conteúdo digital e formação de opinião, entender a dinâmica de narrativas é essencial para ler eventos internacionais com maior precisão.
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