A Procuradoria-Geral da Colômbia abriu uma investigação contra o ex-presidente Álvaro Uribe. O objetivo é apurar possível participação na formação de grupos paramilitares e em dois massacres ocorridos na década de 1990, em Antioquia, onde ele já foi governador. Uribe deverá prestar depoimento.
Segundo o órgão, o processo envolve a existência de uma milícia ligada à região de Antioquia e duas ações violentas atribuídas a esse grupo, os massacres de La Granja (1996) e El Aro (1997). As vítimas incluem civis e houve relatos de deslocamentos forçados.
A investigação aponta indícios de associação criminosa agravada e homicídio de pessoa protegida. A denúncia sustenta que Uribe teria facilitado a atuação da estrutura armada, que teria tido Guacharacas, fazenda da família Uribe Vélez, como base.
O caso também envolve o assassinato em 1998 do defensor dos direitos humanos Jesús María Valle Jaramillo, que denunciou lentidão do governo de Antioquia diante dos ataques paramilitares. Uribe havia criticado publicamente a abertura da apuração.
Reação e próximos passos
Uribe comentou a abertura da investigação em X, afirmando enfrentar um suplício próximo às eleições. A defesa do ex-presidente ainda não confirmou datas de depoimento.
O presidente Gustavo Petro respondeu, sem detalhar o processo, que Uribe corre risco de envolvimento em algo que ele mesmo não gostaria. O confronto público entre as partes ocorreu na rede social.
Contexto recente
Em agosto de 2025, Uribe foi condenado a 12 anos de prisão em regime domiciliar por suborno de testemunhas e fraude processual, casos ligados a suposta influência sobre depoimentos de ex-paramilitares. A sentença foi anulada pela Justiça e remetida à Suprema Corte.
Também há desdobramentos familiares: o irmão de Uribe, Santiago Uribe, foi condenado pela Suprema Corte a 28 anos de prisão por liderar o grupo paramilitar Os 12 Apóstolos. AFP compõe o material.
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