O segundo turno da eleição presidencial na Colômbia acontece neste domingo, 21 de maio, com Iván Cepeda, senador de esquerda apoiado por o governo, enfrentando Abelardo de la Espriella, advogado de direita. A votação ocorre em meio a uma onda de polarização sem precedentes, centrada na segurança pública e no legado do acordo com as Farc.
Cepeda atuou como ativista de direitos humanos e participou das negociações de paz com as Farc e com as dissidências do ELN. Ele defende a continuidade do plano Paz Total de Gustavo Petro, alinhando-se a uma estratégia de diálogo com grupos armados. Espriella, por sua vez, defende endurecimento da segurança e rejeita novos compromissos com guerrilhas.
A disputa gira em torno de como lidar com a violência e o narcotráfico. Pesquisas indicam apoio à linha de Cepeda entre parcela da população, enquanto Espriella ganha apoio ao enfatizar ação militar mais firme contra guerrilhas e grupos criminosos.
Segundo dados, a taxa de homicídios na Colômbia permanece elevada, ainda que abaixo do pico de 2001. O Banco Mundial aponta estagnação em torno de 25 assassinatos por 100 mil habitantes nos últimos anos. A OMS classifica valores acima de dez como violenta epidemia.
Casos de violência de alto impacto voltaram a preocupar o país. Em junho do ano passado, o senador Miguel Uribe Turbay, do Centro Democrático, foi baleado em Bogotá e morreu após ferimentos. Um atentado com explosivos no Cauca, em abril, deixou 20 mortos e 36 feridos.
Analistas destacam que a segurança se tornou eixo decisivo da campanha. A cientista política Sandra Borda, da Universidad de los Andes, afirma que o processo de paz ampliou o escopo da esquerda e também da direita, com avaliações divergentes sobre o impacto do Paz Total.
Adriana Melo, especialista citada pela Gazeta do Povo, caracteriza a eleição como um plebiscito sobre segurança: negociar versus reprimir. Ela assinala que dez anos após o acordo com as Farc, as dissidências, o ELN e o narcotráfico continuam a ocupar espaço onde o Estado não chegou totalmente.
A especialista também menciona o apoio de Washington a Espriella como reflexo da polarização entre uma agenda de paz com negociações e uma linha mais dura de combate a guerrilhas, que tende a aproximar-se de políticas americanas. A avaliação é de que a segurança permanece como memória coletiva e tema central da disputa.
Victor Missiato, professor e analista, diz que a violência elevou o tom da eleição. Ele aponta que propostas de Espriella para não negociações com guerrilhas intensificam o conflito político, especialmente diante de antecedentes regionais na América Latina e de comparações com outros modelos de governança.
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