O adiamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, previstas para ocorrer na Suíça, aumenta as incertezas sobre a retomada da navegação no Estreito de Ormuz. Denúncias de que a viagem de JD Vance para encontros com negociadores iranianos seria inviável contribuíram para o cancelamento. Ainda assim, no primeiro dia de implementação do acordo entre Washington e Teerã, cerca de dez navios petroleiros conseguiram atravessar a região.
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou o adiamento dos encontros no resort Burgenstock, após a desistência da viagem de JD Vance. O objetivo do acordo é permitir a livre passagem por 60 dias, com retirada norte-americana da área e o Irã abrindo o estreito para navio(s) comerciais. Analistas ressaltam que a normalização total do tráfego ainda não ocorreu.
Contexto do acordo e impactos no tráfego
O professor Alexandre Pires, da Ibmec SP, afirma que a retomada plena do corredor petrolífero requer tempo e cenário de estabilidade. Segundo ele, o estreito está marcado por tensões que, embora amenizadas, persistem, mantendo o frete elevado. A geografia do Ormuz, dividido entre territórios iraniano e omanense, complica a navegação, com minas iranianas já influenciando rotas.
Para além da logística, o pesquisador aponta riscos de novos choques diplomáticos. A hipótese de cobrança de pedágio pelo Irã em 60 dias é vista como barganha, conforme ele. Caso o Irã exija tarifas também sobre embarcações em águas sob soberania de Omã, a situação pode reacender tensões regionais. O período de 60 dias é considerado por especialistas como uma fase de instabilidade potencial, com interesses de várias partes em jogo.
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