Donald Trump afirmou, em comentário feito por telefone à emissora italiana La7, que a premiê italiana Giorgia Meloni implorou para tirar uma foto com ele. Segundo o presidente norte-americano, Meloni queria muito a foto, e ele acabou concordando por pena. A afirmação repercutiu de forma negativa entre aliados próximos na Itália.
Meloni respondeu publicamente, em vídeo divulgado nas redes sociais, dizendo estar perplexa com o comportamento de Trump e classificando as declarações como fabricadas. A premiê confirmou que não houve pedido de foto e criticou a forma como foram tratadas as relações com os EUA.
A chefia da diplomacia italiana reagiu de forma prática: o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, cancelou a viagem a Washington prevista para este fim de semana. Tajani classificou as declarações de Trump como graves e ofensivas. O ministro da Justiça, Carlo Nordio, chamou o episódio de ferida para as relações entre os dois países, enquanto o ministro da Defesa, Guido Crosetto, afirmou que as brincadeiras não ajudam a qualquer parte.
Contexto histórico e leituras estratégicas
Entre abril e maio, episódios envolvendo Trump e Meloni já haviam gerado desconforto: o presidente criticou a Itália por não se alinhar à estratégia americana no Irã e chegou a dizer ter ficado decepcionado com a suposta falta de coragem de Meloni. Em resposta, Meloni afirmou que as críticas eram inaceitáveis, destacando a importância do papa Leão XIV e mantendo o foco em manter relações prudentes com Washington.
Analistas destacam que o confronto reflete tensões entre nacionalistas de diferentes espectros dentro da aliança transatlântica. Nathalie Tocci, diretora do Istituto Affari Internazionali, reforçou que a ruptura entre Meloni e Trump tornou-se difícil de reparar, ainda que não descartar possíveis desdobramentos. Para ela, as relações ítalo-americanas devem continuar, mas com realismo sobre limitações na cooperação política direta.
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