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Abel Prieto afirma que Cuba não se renderá

Abel Prieto afirma que Cuba não se renderá diante do embargo, enfrentando crise energética e impactos na saúde e turismo, com resistência popular

O presidente de Casa de las Américas, Abel Prieto, no jantar em sua homenagem, na capital paulista
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Abel Prieto, cubano de 76 anos e ex-ministro da Cultura, afirma que Cuba jamais se renderá diante do embargo. Hoje presidente da Casa de las Américas, ele veio ao Brasil para a conferência Cidade de São Paulo, defendendo a soberania cubana diante da tensão econômica.

Prieto disse que o bloqueio dos EUA, em vigor há mais de seis décadas, se tornou “terrível” no atual cenário. O relato dele combina relatos de escassez, dificuldades de transporte e impactos na saúde pública com uma visão de resistência. A entrevista ocorreu durante a visita ao Brasil.

Em meio ao embargo

Ele explicou que, após a suspensão de importação de petróleo, a vida cotidiana ficou mais complexa: cidades sem energia por longos períodos e transporte restrito. “Se tivermos que morrer, morreremos”, afirmou, reforçando a postura de resistência.

Para explicar o cenário, Prieto citou a operação na Venezuela, o cerco energético e o reflexo no turismo, que depende de voos e cruzeiros. Segundo ele, apenas hotéis em Havana e Varadero resistem, e o setor enfrenta queda de receitas.

Energias e mobilidade

A energia elétrica hoje depende de refinamento de petróleo cubano, tecnologia local que busca manter o abastecimento. Mesmo assim, o país vive apagões prolongados e serviços públicos afetados. Prieto descreve uma população que se adapta: bicicletas, caminhadas e poucos carros.

O bloqueio também atinge remessas de cubanos no exterior, que precisam usar intermediários para enviar dinheiro. Em termos de cooperação médica, países têm reduzido a presença de médicos cubanos. Essas medidas ajudam a pressionar a economia.

Impactos no turismo e na cultura

Cruciais perdas recaem sobre o turismo, fonte de divisas. Cruzeiros e visitas de europeus diminuem, agravando o quadro de infraestrutura e cultura. Músicos e trabalhadores de hotéis enfrentam demissões, e sanções afetam a circulação de fãs e artistas.

Prieto lembrou que Cuba mantém diálogo aberto, não é país de guerra, mas pode defender a soberania com resistência caso seja necessária. A ideia é preservar a identidade revolucionária, sem abandonar o princípio da defesa nacional.

Rumo à cooperação e resistência

O líder cubano citou possibilidades de negociação em áreas de princípio, sem abrir mão do sistema socialista. Em sua visão, há espaço para acordos que beneficiem ambos os lados, inclusive na biotecnologia, sem ceder à soberania do país.

Em referência aos movimentos de oposição, Prieto destacou que o povo cubano já demonstrou firmeza diante de dificuldades. Ele aponta para estratégias de defesa popular, sem recorrer à violência, caso haja agressão externa.

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