Abiy Ahmed conquistou a vitória nas eleições gerais da Etiória, com seu partido, a Prosperity Party, mantendo a maioria esmagadora no Parlamento. O pleito ocorreu em meio a conflitos, acusações de repressão e baixa participação da oposição, o que elevou as preocupações sobre o futuro do país.
A Prosperity Party possui 438 de 547 cadeiras e deverá formar o novo governo. A posse de Abiy, de 49 anos, está prevista para o início de outubro. Observadores destacam ganhos econômicos sob sua gestão, mas há temores de agravamento das tensões internas.
Parágrafo de contexto importante: durante o dia de votação, 143 locais de voto nas duas maiores regiões não abriram por motivos de segurança, ligados a grupos armados que combatem o governo. Entre esses grupos estão as milícias Fano, na Amhara, e a OLA, na Oromia, que exigem maior autonomia.
Contexto regional e cenário de segurança
A Tigria permanece isolada do pleito, após um histórico conflito que durou até 2022. O território, com cerca de seis milhões de habitantes, não participou do pleito e preocupa-se com a possibilidade de novo estopim de violência. Relações entre Addis Ababa e Asmara também se deterioraram desde o fim da guerra.
Eritreia, com extensa linha costeira, acusa a Etiória de ambições regionais, enquanto Abiy tem defendido a necessidade de retomar o acesso a um porto no Mar Vermelho. A aliança entre Eritreia e autoridades de Tigray intensifica o temor de desdobramentos militares caso persista a tensão.
Perspectivas e respostas internacionais
A comunidade internacional vem pedindo desescalada. A União Europeia reiterou o chamado, enquanto os Estados Unidos impuseram restrições de visto a membros de linha dura da TPLF e seus familiares. O objetivo é limitar atores envolvidos na crise na região de Tigray.
Analistas ressaltam que a polarização regional permanece alta e que, sem negociações, o risco de escalada é real. Especialistas destacam que o desfecho dependerá de ações de ambos os lados e do papel de terceiros na mediação.
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