No início do século XX, a Rússia abriu fogo contra barcos de pesca britânicos no Mar do Norte, após confundi-los com torpedeiros japoneses. O episódio quase provocou uma guerra entre Reino Unido e Rússia. Hoje, um novo incidente em águas europeias reforça esse recado: o conflito de Ucrânia alcança o Canal da Mancha.
Um veleiro britânico, de aposentados, navegava próximo à Ilha de Wight quando uma fragata russa, a Admiral Grigorovich, abriu fogo de advertência a poucos centenas de metros de distância. No papel, trata-se de um episódio menor, sem feridos ou danos, mas com peso simbólico para a geopolítica da região.
Versões em choque
Moscou sustenta que o iate britânico se aproximou perigosamente, desrespeitou sinais sonoros e de sinalização, e que o disparo visou evitar uma colisão. Londres e o casal envolvido asseguram que corrigiram o curso após ouvir a buzina e negam qualquer rota de colisão.
A narrativa distinta inspira leituras diferentes sobre o que ocorreu exatamente. Se a versão russa for confirmada, o episódio pode ser visto como uma resposta a uma manobra considerada arriscada. Se prevalecer a versão britânica, o ato seria interpretado como excesso de precaução diante de uma situação de navegação.
Autoridades britânicas não divulgaram detalhes adicionais sobre o incidente. A Defesa do Reino Unido relatou apenas que os envolvidos mantêm contato para esclarecer o ocorrido. Não houve feridos nem danos materiais reportados até o momento.
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