Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, anunciou nesta segunda-feira a suspensão temporária dos últimos bloqueios de rodovias em Cochabamba, que duravam cerca de 50 dias. A trégua não é considerada rendição, segundo Morales, durante reunião com líderes de sindicatos de produtores de coca em Chapare.
Os bloqueios foram iniciados por manifestantes contra a condução da economia pelo presidente Rodrigo Paz. A paralisação afetou o abastecimento de combustível, alimentos e itens médicos em várias regiões do país.
Na sexta-feira, o governo de Paz assinou um acordo com a COB, confederação dos trabalhadores, para encerrar as manifestações. O pacto foi apresentado como um passo para abrir espaço a um diálogo entre as partes.
Até segunda, muitos trechos de estradas que conectam Cochabamba, principal polo produtivo, permaneciam sob controle de associações rurais alinhadas a Morales, que não integraram as negociações. As artérias urbanas continuaram sob pressão regional.
No fim de semana, Paz decretou estado de emergência, ampliando poderes das Forças Armadas para remover bloqueios e restaurar a ordem. O objetivo formal é proteger cidadãos e manter o fluxo de bens essenciais.
A redução dos bloqueios ocorreu após a adoção de medidas para estabilizar combustíveis e reformas agrárias que geraram insatisfação. O conflito começou com cortes de subsídios de combustíveis e aumentou com demandas por salários.
Segundo autoridades, o número de bloqueios caiu para nove ao longo do fim de semana, indicando menor impacto direto nas vias, apesar de a tensão social persistir em parte do território.
Observadores destacam que o acordo de sexta-feira pode abrir espaço para negociações, desde que haja participação ampla dos trabalhadores nas decisões. O cenário permanece com desdobramentos incertos para a política boliviana.
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