Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, anunciou nesta segunda-feira a suspensão temporária dos bloqueios de rodovias na região de Cochabamba. A eleita trégua não foi chamada de rendição e surgiu após acordo entre o governo, liderado por Rodrigo Paz, e a COB, central sindical.
O acordo, fechado na sexta-feira, visa encerrar as manifestações que paralisaram o país. Diferentes setores, como caminhoneiros, camponeses e docentes, contribuíram para as paralisações desde o início do mês.
Paz decretou estado de emergência no fim de semana, ampliando poderes para enfrentar os bloqueios. Na prática, isso permitiu ações das forças de segurança para liberar estradas, com queda no número de pontos de contenção para nove até esta segunda-feira.
As manifestações têm relação com cortes de subsídios a combustíveis e reformas nas terras, medidas associadas ao acordo com o FMI. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo contra protestos próximos ao palácio de governo.
Ainda há resistência em Cochabamba, onde associações rurais, alinhadas a Morales, não participaram do acordo e continuam protestando. Nesse cenário, o país enfrenta dificuldades de abastecimento e filas para produtos básicos.
O ex-presidente afirmou que os protestos representam uma tentativa de desestabilizar a democracia, enquanto o decreto de emergência visa restaurar a ordem, proteger cidadãos e manter o fluxo de bens. As partes envolvidas aguardam desdobramentos do compromisso.
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