O governo dos Estados Unidos anunciou a retirada de todo o financiamento à resposta de HIV e Aids na África do Sul. A decisão envolve o apoio financeiro do Pepfar, que já contribuía com cerca de 400 milhões de dólares por ano até 2025, segundo autoridades americanas. A medida, disseram fontes, é uma resposta a questões sobre proteção de comunidades brancas na África do Sul.
A líder da UNAids, Winnie Byanyima, alertou que cortar recursos pode custar vidas. Em coletiva, ela pediu uma transição planejada e enfatizou que a redução dos recursos internacionais não vem de um único país, mas afeta várias nações. Byanyima destacou que a África do Sul não depende de financiamento americano para medicamentos.
Segundo o Ministério da Saúde da África do Sul, não houve comunicação formal sobre a decisão dos EUA. O órgão afirmou que o país trabalha há anos em um plano de autossuficiência para manter a resposta à HIV. Até 2025, Pepfar financiava parte relevante dos esforços nacionais para prevenção e tratamento.
Contexto e impactos
Dados oficiais indicam que mais de 8 milhões de pessoas vivem com HIV na África do Sul, o maior contingente mundial. A UNAids aponta que a participação do Pepfar na resposta sul-africana era de aproximadamente 17% do financiamento total. A retirada pode exigir ajustes em programas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
A relação entre Estados Unidos e África do Sul tem passado por tensões desde a posse de Donald Trump, com declarações sobre políticas de inclusão econômica que a AFP classifica como controversas. A África do Sul argumenta que políticas de empoderamento econômico são necessárias para corrigir desigualdades herdadas do apartheid. A Secretaria de Estado americana confirmou, recentemente, um cronograma de retirada gradual do Pepfar devido ao não atendimento a várias exigências de política da administração.
Entre na conversa da comunidade