Dois meses após o secretário de Defesa dos Estados Unidos liberar a suspensão da obrigatoriedade de vacinação contra a gripe, o surto atingiu a Base Aérea de Lackland, no Texas. A 37ª Ala de Treinamento foi o epicentro da doença nos últimos 21 dias, após a mudança de política que afastou a exigência de imunização para os militares. Ao todo, mais de 222 soldados adoeceram, e uma morte foi registrada, segundo informações divulgadas à imprensa.
A Secretaria de Defesa informou que o número de casos chegou a 222, um aumento de 62 em relação ao início da semana. Um porta-voz da Força Aérea não detalhou o total de funcionários afetados, mas afirmou que médicos continuam a monitorar e avaliar a situação na base situada em Lackland, onde anualmente passam recrutas.
Em abril, o governo anunciou a revogação da exigência de vacinação contra a gripe para os militares, sob a justificativa de reduzir controles que, segundo a administração, enfraqueceriam a eficácia operacional. A partir da implementação da nova regra, a adesão à vacina ficou em torno de 40%.
O debate sobre imunização ganhou contornos políticos, com o presidente Donald Trump buscando reduzir recomendações federais de vacinas, inclusive para crianças. Desde a sua segunda passagem pela Casa Branca, o republicano tem promovido medidas controversas, inclusive a indicação de Robert F. Kennedy Jr. para a direção do Departamento de Saúde e Serviços Humanos.
A base de Lackland, em San Antonio, é referência na formação de novas tropas e, anualmente, recebe milhares de recrutas que passam pela 37ª Ala de Treinamento. O surto que se intensificou nas últimas semanas levanta questionamentos sobre estratégias de prevenção e vigilância sanitária em instalações militares de alto ritmo de operação.
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