Após semanas de bloqueio, cracas e resíduos viraram novo entrave no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico. Navios petroleiros ancorados há meses acumulam bioincrustação, dificultando a navegação e a retomada dos fluxos de petróleo.
Especialistas afirmam que a limpeza envolve mergulhadores que removem cracas, mexilhões e algas de cascos com raspadores, lavadoras e, em casos resistentes, lixadeiras. Cada navio exige várias horas de trabalho, por vezes com equipes de 5 a 6 mergulhadores.
A conta de limpeza aumenta rapidamente: a demanda elevou os custos para valores de cinco dígitos por embarcação, segundo fontes da indústria. Navios podem ficar parados até a conclusão da retirada da bioincrustação antes de seguir viagem.
No contexto, o Estreito de Ormuz continua sob tensões: o Irã pediu registro de passagem para as empresas, e caçar-minas seguem para monitorar o canal. Financiadores e seguradoras devem aprovar as operações, num cenário de cessar-fogo com reviravoltas diárias.
Como funciona a limpeza dos cascos
Os petroleiros com mais de 300 metros de comprimento possuem cerca de 150 metros de largura, somando aproximadamente 150 mil pés quadrados de fundo. Mergulhadores raspam a incrustação, que pode danificar pintura e revestimentos, exigindo cuidados para não violar normas ecológicas.
A biocontaminação também afeta hélices, válvulas e sistemas de refrigeração. Em alguns casos, as hélices precisam ser desmontadas, limpas e remontadas, o que aumenta a complexidade e o tempo de operação.
Transformar o fundo limpo em condição de operação é apenas uma etapa de um processo maior para liberar o trânsito de centenas de milhões de barris de petróleo. O impacto envolve custos operacionais, seguros e a logística de reequilibrar o fluxo global.
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