- Opep+ aumenta produção: grupo elevará a oferta de petróleo em 188 mil barris por dia a partir de setembro
- Decisão esperada: medida foi aprovada por Arábia Saudita, Rússia e outros cinco países em reunião virtual
- Impacto limitado no curto prazo: restrições no Estreito de Ormuz ainda dificultam as exportações de petróleo
- Mercado de olho na oferta: analistas avaliam que o efeito será maior quando os fluxos de exportação forem normalizados
- Capacidade reduzida: alguns membros da Opep+ não conseguem atingir suas metas de produção por limitações operacionais
- Possível pausa: especialistas esperam que o grupo suspenda novos aumentos de produção no quarto trimestre enquanto negocia as cotas para 2027
- Rússia produz abaixo da meta: ataques de drones ucranianos à infraestrutura petrolífera reduziram a produção do país para cerca de 9 milhões de barris por dia
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) decidiu aumentar a produção de petróleo em 188 mil barris por dia a partir de setembro. A medida foi aprovada neste domingo (2), durante reunião virtual entre Arábia Saudita, Rússia e outros cinco integrantes do grupo, e ocorre em meio às tensões provocadas pela guerra no Oriente Médio.
Segundo comunicado da Opep, os sete países participantes concordaram em elevar a produção em um volume equivalente ao dos meses anteriores, concluindo mais uma etapa da reversão dos cortes voluntários adotados para sustentar os preços do petróleo nos últimos anos.
+Boletim Focus: Mercado passa a projetar novo corte da Selic
A decisão já era esperada pelo mercado. Para Jorge León, analista da Rystad Energy, o grupo encerrou a retirada dos cortes voluntários, mas agora precisará lidar com um possível excesso de oferta quando as exportações voltarem ao normal.
Apesar do aumento das cotas, León avalia que o efeito imediato sobre o mercado será limitado devido às restrições no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.
Segundo ele, o verdadeiro impacto da ampliação da oferta só será percebido quando os fluxos de exportação forem totalmente restabelecidos.
Os países do Golfo ainda enfrentam dificuldades para ampliar suas exportações por causa do bloqueio de fato do Estreito de Ormuz imposto pelo Irã. Houve uma breve recuperação do tráfego marítimo após a assinatura, em junho, de um memorando de entendimento entre Teerã e Washington, mas a situação permanece instável.
Além disso, parte dos integrantes da Opep+ enfrenta limitações para cumprir suas próprias metas de produção.
A Rússia, por exemplo, vem sofrendo sucessivos ataques de drones ucranianos contra sua infraestrutura petrolífera, o que reduziu sua produção para cerca de nove milhões de barris por dia, abaixo da meta oficial de 9,8 milhões.
Mudança de estratégia
Entre o fim de 2022 e 2023, a Opep+ promoveu três rodadas de cortes de produção para conter a queda dos preços do petróleo, retirando do mercado quase seis milhões de barris por dia.
Posteriormente, Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia, Omã e Emirados Árabes Unidos — antes da saída do país do grupo em maio deste ano — mudaram de estratégia e passaram a defender uma retomada gradual da produção a partir de 2025, movimento que agora chega a mais uma etapa com o aumento anunciado para setembro.
Entre na conversa da comunidade