O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não aplicará a lei de reciprocidade enquanto o Brasil estiver em negociações comerciais com os Estados Unidos.
Apesar de ter aberto um canal direto com Donald Trump, Lula voltou a dizer que o norte-americano se comporta como “um imperador”. Porém, ele afirmou que não está tentando “desafiar os EUA”.
“Não se trata de desafiar os EUA, se trata de dizer que todo país tem sua soberania, todo mundo cuida dos seus interesses e os EUA não podem impor regras a ninguém”, disse.
A declaração acontece após a imposição de tarifas a produtos brasileiros pelo presidente norte-americano.
“Nós estamos negociando, e de novo, enquanto ainda estamos na mesa de negociações, eu não tenho que aplicar a lei da reciprocidade. Eu tenho que ser mais paciente. Mas é importante você saber que se não há acordo, nós vamos ter que aplicar a lei da reciprocidade”, disse o presidente em entrevista à CNN Internacional nesta segunda-feira (21).
Negociações e eleições
Lula destacou o fato de ter falado com Trump recentemente e, depois da conversa, as negociações terem sido reabertas.
A primeira reunião virtual entre os países aconteceu há três semanas e serviu para reabrir as conversas. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, se encontrou com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Mas o governo brasileiro não espera avanços pelo menos até depois das eleições.
Lula foi questionado se pretendia seguir o caminho do Canadá e entrar em uma guerra tarifária com os EUA, caso as negociações não avancem. O presidente negou, e disse que se for necessário terá que analisar com cuidado as medidas a serem tomadas dentro da lei da reciprocidade.
“Eu não quero entrar em uma guerra de tarifas com os EUA e nem com qualquer outro país. O que eu quero é negociar e acredito em negociações”, afirmou.
Bastidores da ONU
Em Nova York para a abertura das Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula pode se encontrar de novo com Trump nos corredores da ONU, apesar de não haver nenhuma negociação para uma conversa.
Os dois mantêm um relacionamento pessoal, apesar do momento entre os governos não ser dos melhores. Na entrevista, Lula admitiu que teme interferências dos Estados Unidos na eleição brasileira, especialmente do secretário de Estado, Marco Rubio, mas que até agora são apenas suspeitas.
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Com informações da Reuters
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