Novas encomendas de produtos industriais americanos recuaram de forma surpreendente em junho. A demanda em outros segmentos, no entanto, permaneceu firme, à medida que as empresas seguiram elevando os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial. As encomendas caíram 0,3% em junho, na sequência de uma queda de 1,1% em maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira […]
Novas encomendas de produtos industriais americanos recuaram de forma surpreendente em junho. A demanda em outros segmentos, no entanto, permaneceu firme, à medida que as empresas seguiram elevando os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial.
As encomendas caíram 0,3% em junho, na sequência de uma queda de 1,1% em maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Census Bureau, órgão ligado ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.
Vale destacar que o resultado de maio foi atualizado. O número informado inicialmente era de queda de 1,3%, mas o dado foi posteriormente ajustado para 1,1%. Com base no dado original, economistas ouvidos pela Reuters projetavam alta de 0,2% para junho, que não se concretizou.
Na comparação com junho do ano passado, as encomendas cresceram 5,3%. O setor manufatureiro, responsável por 9,4% da economia americana, tem sido beneficiado pela expansão da inteligência artificial, ainda que o conflito no Oriente Médio venha pressionando as cadeias de abastecimento e mantendo elevados os custos dos insumos.
Parte desse crescimento também é resultado da antecipação de pedidos por companhias que buscam se proteger de possível desabastecimento e de aumentos de preço provocados pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
As encomendas do setor de defesa ligadas a aeronaves e peças recuaram 7,2% no mês. Já os pedidos de equipamentos para mineração e para os setores de petróleo e gás tiveram queda de 27,2%. Em contrapartida, as encomendas de maquinário em geral subiram 0,3%.
Os pedidos de computadores e produtos eletrônicos avançaram 3,2% em junho e acumulam alta de 13,9% em doze meses. As encomendas de equipamentos elétricos, eletrodomésticos e componentes tiveram elevação de 1,6%.
Também houve avanço nas encomendas de metais primários, veículos automotores, peças e reboques, além de aeronaves comerciais e seus componentes.
O Census Bureau informou ainda que os pedidos de bens de capital não ligados à defesa, sem contar aeronaves, considerados um termômetro dos planos de investimento das empresas em equipamentos, cresceram 1,2% em junho, superando a estimativa de 0,9% divulgada na semana passada.
Déficit comercial dos EUA diminui em junho
O déficit comercial dos Estados Unidos recuou em junho, mas dificilmente essa melhora deve se manter, já que a demanda interna segue aquecida e sendo atendida por importações. Os dados foram divulgados pelo Bureau de Análise Econômica e pelo Census Bureau.
O déficit recuou 5,6% em junho, para 73,3 bilhões de dólares. A projeção de economistas ouvidos pela Reuters era de um déficit de 73,0 bilhões de dólares.
Na semana anterior, o governo havia informado que o déficit comercial havia se ampliado no segundo trimestre, o que reduziu em um ponto percentual o crescimento do PIB no período.
A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no último trimestre. Ainda assim, a demanda interna, impulsionada tanto pelo consumo das famílias quanto pelo avanço dos investimentos das empresas em infraestrutura de inteligência artificial, registrou o ritmo de expansão mais acelerado desde o primeiro trimestre de 2023.
As importações totais, que somam bens e serviços, recuaram 1,8% em junho, para 388,0 bilhões de dólares. Desse total, as importações de bens, ou seja, apenas mercadorias, sem contar serviços, tiveram queda de 2,5%, somando 309,0 bilhões de dólares.
Já as exportações totais caíram 0,9%, para 314,7 bilhões de dólares, com as exportações de bens em retração de 1,9%, para 206,9 bilhões de dólares.
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