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Trump reduz treinos militares com Coreia do Sul e elogia relação com Kim Jong-un

Presidente dos Estados Unidos disse que manobras "enviam um sinal inadequado e hostil" à Coreia do Norte

Trump elogia relação com Kim Jong-un | Foto: Reprodução / @realDonaldTrump no Truth Social
Trump elogia relação com Kim Jong-un | Foto: Reprodução / @realDonaldTrump no Truth Social

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a redução dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul poucas horas antes do início das atividades, nesta segunda-feira (17). Segundo ele, as manobras enviam um sinal “inadequado e hostil” à Coreia do Norte e não combinam com a boa relação que ele mantém com o líder norte-coreano Kim Jong-un.

Apesar do pedido, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul informou que os exercícios Ulchi Freedom Shield começaram normalmente e “estão acontecendo conforme o planejado”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a redução dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul poucas horas antes do início das atividades, nesta segunda-feira (17). Segundo ele, as manobras enviam um sinal “inadequado e hostil” à Coreia do Norte e não combinam com a boa relação que ele mantém com o líder norte-coreano Kim Jong-un.

Apesar do pedido, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul informou que os exercícios Ulchi Freedom Shield começaram normalmente e “estão acontecendo conforme o planejado”.

No domingo (16), Trump criticou as manobras em uma publicação na rede Truth Social. O presidente afirmou que os exercícios são caros e enviam uma mensagem hostil a Pyongyang. Segundo ele, a Coreia do Norte tem demonstrado uma postura respeitosa e “não ameaçadora” desde seu retorno à Casa Branca, em 2025.

Trump também fez críticas à Coreia do Sul e afirmou que o país recusou um convite para participar de ações dos Estados Unidos relacionadas à desnuclearização do Irã.

“Com base na minha excelente relação com Kim Jong-un, da Coreia do Norte, não estou satisfeito com o fato de os Estados Unidos terem concordado, há muito tempo, em participar de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. Esses exercícios não são apenas caros, com grande parte dos custos pagos pelos Estados Unidos da América, como de costume, mas também enviam um sinal totalmente inadequado e hostil a um país que, enquanto Donald J. Trump esteve na Presidência, tem se mostrado não ameaçador e respeitoso. Portanto, considerando também que já é tarde demais para cancelar, instruí o secretário de Guerra, Pete Hegseth, a reduzir substancialmente os exercícios militares conjuntos. Embora seja algo um pouco não relacionado (?), recentemente perguntei ao presidente da Coreia do Sul se eles gostariam de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irã, e eles responderam: ‘Não, obrigado!’. Obrigado pela atenção a este assunto”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.

Os exercícios militares devem durar 11 dias e fazem parte do treinamento conjunto entre Washington e Seul para preparar a defesa da Coreia do Sul diante de possíveis ameaças da Coreia do Norte.

No sábado (15), Trump publicou uma foto ao lado de Kim Jong-un, registrada durante um encontro entre os dois em 2019, e voltou a destacar a relação que mantém com o líder norte-coreano. Ele afirmou que não estava satisfeito com a participação dos Estados Unidos nos exercícios conjuntos.

Como já era tarde para cancelar as manobras, Trump disse ter pedido ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, que reduzisse a dimensão das atividades.

Segundo o coronel Ryan Donald, porta-voz do Comando das Forças Combinadas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, os exercícios incluem simulações de combate contra forças norte-coreanas. O treinamento também considera a experiência adquirida por militares da Coreia do Norte que participaram da guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Coreia do Sul quer diálogo com Coreia do Norte

O gabinete presidencial sul-coreano afirmou que espera que a relação de Trump com Kim Jong-un ajude a abrir espaço para novas conversas entre os países.

“O governo acompanha de perto a mensagem publicada hoje pelo presidente Trump nas redes sociais e espera que a relação amistosa entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte resulte em um diálogo significativo”, informou.

Especialistas, porém, alertam que uma redução dos exercícios pode afetar a preparação militar conjunta. Leif-Eric Easley, professor de Estudos Internacionais da Universidade Feminina Ewha, em Seul, afirmou à AFP que a medida pode prejudicar a coordenação entre os aliados e enfraquecer a capacidade de resposta a possíveis conflitos na Ásia.

A Coreia do Norte condenou os exercícios e afirmou que poderia responder com medidas de “dissuasão” mais fortes. Pyongyang considera as manobras militares entre Estados Unidos e Coreia do Sul uma preparação para uma possível invasão.

Na quarta-feira, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico em direção ao Mar do Japão.

Os Estados Unidos mantêm cerca de 28.500 militares na Coreia do Sul como parte do acordo de defesa entre os dois países. A presença americana ocorre em um cenário de tensão permanente na Península Coreana.

+Donald Trump repercute ataque ao Irã em rede social; Veja vídeos

Coreia do Norte e Coreia do Sul encerraram a Guerra da Coreia, travada entre 1950 e 1953, com um armistício, e não com um tratado de paz. Por isso, tecnicamente, os dois países continuam em guerra.

As críticas de Trump a aliados tradicionais dos Estados Unidos também têm provocado dúvidas sobre o futuro dos compromissos americanos com a segurança no leste da Ásia.

Questionada sobre uma possível retomada do diálogo entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a China afirmou que acompanha a situação.

“Manter a paz e a estabilidade na Península Coreana e promover uma solução política é de interesse comum de todas as partes”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian.

Em Taiwan, o presidente Lai Ching-te afirmou que pretende propor gastos de mais de US$ 35 bilhões em defesa para 2027. A ilha depende fortemente do apoio dos Estados Unidos diante das pressões da China, que considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir seu controle.

*com informações da AFP

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