O surto de Ebola na República Democrática do Congo está se espalhando de forma “exponencial”, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira (21). A epidemia já matou cerca de 2.500 pessoas e se tornou a maior já registrada no país em número de casos.
Segundo Julien Harneis, coordenador sênior da ONU para a doença, a velocidade de expansão do vírus já supera a capacidade de resposta das equipes que atuam na região.
O surto de Ebola na República Democrática do Congo está se espalhando de forma “exponencial”, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira (21). A epidemia já matou cerca de 2.500 pessoas e se tornou a maior já registrada no país em número de casos.
Segundo Julien Harneis, coordenador sênior da ONU para a doença, a velocidade de expansão do vírus já supera a capacidade de resposta das equipes que atuam na região.
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Harneis afirmou que os recursos financeiros disponíveis para combater a epidemia devem se esgotar nas próximas semanas. O representante da ONU pediu um reforço imediato da ajuda internacional para ampliar as ações de controle e atendimento às pessoas infectadas.
“A epidemia está se espalhando por uma área maior do que a França, e o surto está crescendo mais rápido e se alastrando mais do que a resposta ao Ebola.”, afirmou o representante da ONU.
Segundo ele, a situação é ainda mais preocupante porque o avanço da doença ocorre em uma região que enfrenta conflitos há cerca de três décadas e já possui grandes necessidades humanitárias.
Profissionais de saúde também são vítimas
As equipes que trabalham no combate ao Ebola enfrentam, além do risco de contaminação, ataques e resistência de parte da população. De acordo com Harneis, cerca de 160 profissionais de saúde foram infectados pelo vírus e 43 morreram.
Nos últimos seis meses, mais de 260 ataques contra trabalhadores da área da saúde foram registrados. Oito profissionais morreram nessas ocorrências.
Ambulâncias foram incendiadas ou apedrejadas e unidades de saúde também foram atacadas. Segundo o coordenador da ONU, o medo provocado pela epidemia tem contribuído para o aumento da tensão entre moradores e equipes de atendimento.
“O medo se traduz em jovens enfurecidos que começam a atirar pedras contra o objeto de seu medo: a ambulância”, afirmou.
Organizações humanitárias também relatam a circulação de teorias da conspiração entre moradores, incluindo a alegação de que o surto seria uma farsa. As medidas sanitárias adotadas para conter a transmissão do vírus também geram conflitos, especialmente quando familiares são impedidos de realizar pessoalmente os enterros de pessoas mortas pela doença.
Ebola
A atual epidemia é a 17ª registrada na República Democrática do Congo e se tornou, no fim de julho, a maior da história do país em número de casos. O surto superou a epidemia registrada entre 2018 e 2020, até então considerada a mais grave no território congolês.
O surto é causado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola, estirpe altamente contagiosa, responsável pela morte de 30% das pessoas infetadas nos dois surtos anteriores, em 2007 e 2012, no Uganda e na RD Congo, respetivamente.
A variante ainda não conta com vacina ou tratamento aprovados pelas autoridades de saúde internacionais.
Entre os infetados, a doença começa por manifestar-se com sintomas semelhantes aos da gripe, como a febre. Em fases avançadas da infeção, o quadro pode evoluir para hemorragias graves, apresentando uma taxa de letalidade que ronda os 40%.
*Com informações da Reuters
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