A maioria dos eleitores dos Estados Unidos considera que o governo de Donald Trump e o Congresso tratam com pouca seriedade os riscos da inteligência artificial (IA) e defende que o poder público crie novas regras para a tecnologia, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quarta-feira (7).
Cerca de 57% dos eleitores registrados, entre eles um terço dos que se declaram republicanos, afirmaram que a gestão Trump não dá a devida atenção aos riscos da IA ou simplesmente os ignora. Em relação ao Congresso, o índice ficou em aproximadamente 54%.
Para 84% dos eleitores, a IA representa uma ameaça aos trabalhadores americanos. O percentual supera o de outros fatores avaliados na pesquisa, como a concorrência de mão de obra estrangeira (74%), as grandes corporações (73%) e a imigração ilegal (60%).
O apoio a uma regulação governamental mais rígida sobre a IA reúne maioria nos dois partidos, com adesão de 80% dos democratas e 61% dos republicanos.
O tema ganhou peso na campanha para as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, que vão definir o controle do Congresso. Para 62% dos eleitores ouvidos, a tecnologia pode fugir do controle e colocar em risco o futuro da humanidade, patamar semelhante ao de outra sondagem Reuters/Ipsos, feita em agosto do ano passado.
O assunto passou a mobilizar o país diante de relatos de agentes de IA que agiram sem controle e invadiram redes de computadores de empresas. Pesquisadores de destaque também alertam que a tecnologia poderá, no futuro, ameaçar a própria existência da humanidade.
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Os centros de dados que sustentam a IA, barulhentos e com alto consumo de energia, incomodam cada vez mais moradores quando são instalados perto de áreas residenciais. Além disso, contribuem para encarecer as contas de serviços públicos.
Posição da Casa Branca
Trump tem reiterado seu apoio irrestrito à IA e à expansão dos centros de dados, que considera essenciais para a competitividade americana, mesmo diante de críticas cada vez maiores de democratas e republicanos.
Quando questionado sobre a ausência de limites ao uso e ao desenvolvimento da tecnologia, o presidente costuma argumentar que o setor americano perderia espaço para os concorrentes chineses. Defensores da segurança da IA contestam essa justificativa.
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“Essa é uma preocupação importante, mas não é a principal preocupação da maioria dos norte-americanos, nem deveria ser“, afirmou Daniel Kokotajlo, ex-funcionário da OpenAI que deixou a empresa em 2024 por avaliar que ela não agia de forma responsável.
Para ele, o mais urgente é o risco de que a IA elimine postos de trabalho ou ameace a saúde e a segurança das pessoas.
Procurado pela Reuters para comentar a condução do tema pelo presidente, um funcionário da Casa Branca citou a nova força-tarefa criada por Trump, que, segundo ele, tem a missão de garantir que “os Estados Unidos continuem liderando o mundo” na área.
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“A prioridade do governo Trump é garantir que haja uma economia em expansão, para que os trabalhadores tenham muitas oportunidades e sofram pouca instabilidade decorrente de quaisquer perturbações de curto prazo”, disse o mesmo funcionário, ao ser questionado sobre o temor dos eleitores em relação ao impacto da IA no emprego.
A pesquisa foi aplicada pela internet em todo o país ao longo de seis dias, até segunda-feira (5), e ouviu 4.506 adultos, dos quais 3.526 são eleitores registrados. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
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