A Nasa divulgou um novo registro na última terça-feira (6) feito pelo veículo explorador robótico Curiosity durante o início da manhã marciana. A cena mostra os primeiros raios solares iluminando penhascos irregulares formados há bilhões de anos, enquanto o veículo, que tem aproximadamente o tamanho de um carro, segue sua exploração solitária pela superfície do planeta vizinho da Terra.
A Curiosity pousou em 2012 na Cratera Gale, perto do equador marciano, e, desde 2014, vem escalando o Monte Sharp, uma montanha de 5km de altura que se ergue do fundo da cratera. A imagem foi capturada pela câmera Mastcam da sonda de seis rodas cerca de uma hora após o Sol nascer sobre uma paisagem com penhascos esculpidos pelo vento ao longe.
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“Os picos escarpados e brilhantes à distância são uma camada rochosa cuja aparência é bem diferente de todas as camadas pelas quais a sonda já passou até agora. Acreditamos que, em algum momento, tenha sido um sedimento transportado pelo vento — talvez areia ou até mesmo cinzas — que foi levado para dentro da cratera a partir de atividades vulcânicas nas proximidades. Depois que o sedimento se solidificou, transformando-se em rocha, eras de vento esculpiram a camada rochosa, formando cristas chamadas yardangs”, disse o cientista planetário Ashwin Vasavada, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia, e cientista do projeto Curiosity.
A camada de yardang provavelmente se formou há cerca de 3 bilhões de anos, mais ou menos na mesma época que o restante da montanha, segundo Vasavada. Essa camada se estende por cerca de 16km na região noroeste do Monte Sharp.
“No entanto, a camada de yardang não parece fazer parte da pilha contínua de camadas que compõem o ‘bolo de camadas’ do Monte Sharp. Ela foi adicionada um pouco mais tarde. Está acima do que os geólogos chamam de discordância: uma lacuna no tempo em que as camadas anteriores sofreram erosão antes que novas camadas fossem depositadas sobre elas”, disse Vasavada.
A sonda, em sua subida gradual pela montanha, já ganhou mais de 1km de altitude, a maior elevação já alcançada em Marte, segundo a Nasa.
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O Monte Sharp é formado por camadas, cada uma registrando um período do passado geológico do planeta. Ao estudar essas camadas, os cientistas aprenderam mais sobre corpos d’água — lagos e riachos — que, há muito tempo, cobriam essa região, numa época em que Marte era mais úmido e quente do que o lugar frio e desolado que é hoje.
Vasavada disse que a Nasa espera que a Curiosity alcance a camada de yardang em 2027 ou 2028, quando então utilizará seus instrumentos para examinar minuciosamente a geologia do local.
A Curiosity vem estudando a geologia e o clima de Marte e investigando se o planeta já apresentou condições propícias à existência de vida microbiana. Ela é uma das duas sondas da Nasa em operação em Marte. A sonda Perseverance está atualmente percorrendo as margens da cratera Jezero, no hemisfério norte.
“Essa cena tem uma natureza selvagem que me lembra uma viagem de carro pelo Monument Valley, no Arizona. Dá quase para sentir o silêncio e o espaço aberto infinito sob o céu. Mas, por mais familiar que isso pareça, o céu é alaranjado e o nascer do Sol tem tons de azul. É como a Terra, mas é definitivamente Marte”, disse Vasavada.
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Poucas semanas antes de revelar o amanhecer sobre os penhascos do Monte Sharp, a Nasa havia divulgado outro registro da Curiosity para celebrar os 5 mil dias marcianos da missão.
O veículo fotografou a paisagem enquanto estava parado junto a uma faixa de areia apelidada de “Chocolatal”, onde produziu dois panoramas em horários diferentes: um pela manhã, em 30 de agosto, e outro no fim da tarde, em 2 de setembro. As imagens foram combinadas pela equipe na Terra, com azul representando a cena matinal e amarelo, a vespertina.

Foto tirada pela Curiosity na região de Chocolatal (Créditos: Divulgação/NASA/JPL-Caltech)
A foto mostra parte da própria Curiosity em primeiro plano, e ao fundo, a extensa paisagem da Cratera Gale, onde a sonda pousou em 2012 e de onde iniciou a subida do Monte Sharp. O registro marcou os sols 5.000 e 5.003 da missão.
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(Com informações da Reuters)
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