Preocupados com as consequências das novas sanções anunciadas pelos Estados Unidos na segunda-feira (24) que prometeram “asfixiar” economicamente o Irã, os iranianos formaram longas filas em postos de gasolina nesta terça-feira (25).
Preocupados com as consequências das novas sanções anunciadas pelos Estados Unidos na segunda-feira (24) que prometeram “asfixiar” economicamente o Irã, os iranianos formaram longas filas em postos de gasolina nesta terça-feira (25).
Washington intensificou a pressão econômica sobre Teerã em um momento de impasse nas negociações de paz. Os contatos estão interrompidos há quase seis meses, desde o início da guerra deflagrada pelos Estados Unidos, sem que haja perspectiva de solução para o conflito.
O Irã, por sua vez, mantém fechado o estratégico Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos seguem com o bloqueio naval imposto à República Islâmica.
A via é um dos pontos centrais do conflito, já que por ali passavam, antes da guerra, 20% das exportações mundiais de hidrocarbonetos. O fechamento do estreito provocou alta nos preços do petróleo, o que pressiona o presidente americano, Donald Trump, às vésperas das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, se reuniu nesta terça-feira em Teerã com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi. Segundo comunicado conjunto divulgado pelo governo omani, os dois discutiram a criação de um corredor de navegação temporário na via e um acordo para dar início a um processo de desminagem.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, apresentou na segunda-feira um plano voltado à “asfixia econômica” do Irã. Ele também advertiu sobre consequências graves para os países que se recusarem a aderir à campanha promovida por Washington.
EUA ameaçam sancionar países que seguirem negociando com o Irã
Os dirigentes iranianos minimizaram as consequências para um país submetido a sanções há décadas, mas alguns moradores da capital, Teerã, já temiam o impacto econômico e formaram longas filas nos postos de gasolina.
“É lógico que as sanções afetem a vida das pessoas. Há pessoas sofrendo, tanto as que têm uma boa situação econômica quanto as que têm menos recursos”, afirmou Mehdi Yazdian, um corretor de imóveis de 55 anos, que pediu às autoridades que controlem os preços.
Para Yazdian, as restrições estão surtindo efeito, mas ressaltou que a população iraniana é “resiliente”.
Taneen, uma estudante de arquitetura de 23 anos, destacou que durante toda a sua vida seu país esteve sob sanções.
“Essa pressão recai sobre toda a família”, afirmou, contando que o pai lhes disse que precisavam sair para comprar comida agora “porque vai ficar mais cara“.
O Irã já enfrentava uma inflação muito elevada antes da guerra, um dos fatores que impulsionaram a onda de protestos contra o governo que atingiu seu auge em janeiro.
O governo respondeu às manifestações com uma repressão que, segundo organizações de direitos humanos, matou milhares de pessoas. As autoridades iranianas atribuem a violência a “atos terroristas” instigados pelos Estados Unidos e por Israel.
O Irã executou pessoas processadas por envolvimento nas manifestações e Trump manifestou indignação nesta terça-feira.
“Esta é uma crise humanitária de proporções épicas e precisa parar, AGORA”, escreveu em sua rede Truth Social.
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