Um livro que rompe tabus sobre a ascensão ao poder e a vida privada de Vladimir Putin, escrito por dois jornalistas russos exilados, venceu nesta terça-feira um prêmio literário francês.
Um livro que rompe tabus sobre a ascensão ao poder e a vida privada de Vladimir Putin, escrito por dois jornalistas russos exilados, venceu nesta terça-feira um prêmio literário francês.
A obra, intitulada “The Tsar in Propria Persona: How Vladimir Putin Deceived Us All” (“O Czar em Propria Persona: Como Vladimir Putin Nos Enganou a Todos”, em tradução livre), reúne mais de duas décadas de reportagens investigativas dos jornalistas Roman Badanin e Mikhail Rubin.
O livro recebeu o Prix Strasbourg, criado recentemente pelo grupo EBRA, o maior conglomerado de jornais regionais da França, em parceria com sua controladora, o Credit Mutuel Alliance Federale. A publicação da obra na França está prevista para o mês que vem.
Segundo o júri, o livro “se lê como um romance de espionagem” e é descrito como um “trabalho fascinante e chocante sobre uma figura que é, ele próprio, fascinante e chocante”.
“É o resultado de várias centenas de entrevistas com testemunhas, algumas das quais desapareceram posteriormente em circunstâncias trágicas“, afirmou o júri.
Badanin é fundador e editor-chefe da Proekt, veículo de jornalismo investigativo criado em 2018. Ele e Rubin, seu vice-diretor na Proekt, vivem nos Estados Unidos depois de serem pressionados na Rússia.
Badanin disse que os autores queriam que estrangeiros lessem o livro e conhecessem “fatos reais” sobre Putin e o sistema que ele construiu.
“A mensagem que queríamos transmitir com este livro é a seguinte: não é necessário inventar nada sobre Putin. Ao invés disso, aprenda como as coisas realmente são. Isso já é assustador o suficiente”, declarou à AFP.
“Somente uma compreensão genuína dos fatos pode nos ajudar a fazer avaliações corretas, reagir de forma eficaz e planejar o futuro das relações entre as nações”, acrescentou.
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Quando a edição russa do livro foi publicada no ano passado, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) declarou que Badanin e Rubin romperam um tabu imposto pelo Kremlin sobre a vida privada de Putin “correndo grande risco pessoal”.
A obra “contrapõe a imagem oficial do presidente russo, hoje em seu 26º ano no poder, como defensor dos valores tradicionais contra a decadência ocidental, à realidade de sua vida privada, marcada por casos extraconjugais, nepotismo e ligações com o crime organizado”.
Lançado em 2026, o prêmio busca se destacar pelo valor expressivo de sua dotação. São 20 mil euros (23 mil dólares) para o vencedor geral e outros 55 mil euros distribuídos entre todas as categorias.
Também foram premiados o autor haitiano Thelyson Orelien e a jornalista francesa Marion Dubreuil.
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