A Ucrânia espera que novas rodadas de “negociações técnicas” com a Rússia ocorram em breve. Ainda assim, as autoridades ucranianas não vê possibilidade de um acordo rápido para encerrar o conflito.
A Ucrânia espera que novas rodadas de “negociações técnicas” com a Rússia ocorram em breve. Ainda assim, as autoridades ucranianas não veem possibilidade de um acordo rápido para encerrar o conflito.
“Acho que todos verão as negociações acontecerem muito em breve. Mas isso envolverá principalmente o aspecto técnico das questões e os preparativos para algo maior, ao qual espero que cheguemos eventualmente”, afirmou Kyrylo Budanov, representante ucraniano nas negociações, em entrevita.
Segundo ele, as conversas devem preparar o caminho para uma negociação mais ampla. De fato, as negociações de paz apoiadas pelos Estados Unidos, que ocorreram em fevereiro, ainda não produziram resultados.
Questionado sobre a possibilidade de os combates seguirem durante o inverno, Budanov afirmou que é “irrealista” esperar o fim da guerra neste momento.
Segundo ele, os beligerantes precisam chegar a um ponto em que estejam prontas para dar passos simultâneos em direação à paz. Budanov afirmou que Kiev está aberta a esse caminho, mas disse que Moscou ainda não demonstra disposição real.
“E, neste momento, a Federação Russa, e estou dizendo isso como alguém profundamente envolvido nesse processo, está afirmando abertamente: ‘talvez quiséssemos, mas não’”, declarou.
A principal exigência da Rússia é a retirada da Ucrânia da região de Donbass, que as tropas russas não conseguiram ocupar totalmente. Kiev afirma que não aceitará ceder o território que ainda controla.
Ataques miram logística e economia
A perspectiva de negociações ocorre em meio à intensificação dos ataques contra infraestrutura logística, portuária e energética dos dois lados.
Na Ucrânia, ataques russos recentes destruíram cerca de 90% da logística de alimentos operada por redes de varejo, afirmou o ministério da Agricultura.
“Isso não significa que os ucranianos ficarão sem comida”, disse o ministro Taras Vysotskyi.
Nas últimas semanas, frutas frescas, legumes, açúcar, laticínios e outros alimentos desapareceram de prateleiras de supermercados em Kiev.
Por outr lado, a Ucrânia intensificou ataques de longo alcance contra centros de distribuição de e-commerces, infraestrutura energética e petroleiros nos mares Negro e de Azov.
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Na quarta-feira (26), um ataque com drones provocou um incêndio de grandes proporções que destruiu um armazém da Wildberries. Duas pessoas ficaram feridas no ataque durante a noite na região de Tambov, na Rússia, segundo o governador local, Evgeniy Pervyshov.
O centro logístico foi “completamente destruído pelo fogo”, disse ele. Anteriormente, ele havia afirmado que cerca de 100 mil metros quadrados das instalações estavam em chamas, o equivalente a 14 campos de futebol.
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Ataques contra Kiev
O ministro do Interior da Ucrânia, Ivan Vyhivskyi, afirmou que a Rússia lançou drones a jato nos últimos dois dias em várias regiões do país, especialmente em Kiev.
Segundo ele, 16 pessoas morreram em toda a Ucrânia no último dia em diferentes ataques.
“Eles estão atacando empresas civis, depósitos de alimentos, hipermercados, terminais postais e locais onde são guardados livros”, declarou Vyhivskyi.
Sirenes de ataque aéreo soaram com frequência em Kiev até a tarde desta sexta-feira (28). No dia anterior, a capital ficou quase 15 horas sob alerta de ataque aéreo, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia.
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Os ataques desta sexta pareciam ter como objetivo prolongar o caos provocado pela ofensiva da véspera, que atrasou trens em várias regiões e deixou passageiros retidos por longos períodos.
“O inimigo está lançando pequenas quantidades de drones a jato em ondas, com o objetivo de paralisar Kiev”, afirmou Andriy Kovalenko, chefe do Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia, órgão ligado ao Conselho de Segurança Nacional.
Com a aproximação do inverno, autoridades ucranianas também esperam que a Rússia retome ataques intensos contra a rede elétrica do país, estratégia já usada por Moscou em fases anteriores da guerra.
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