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Número de mortos em enchentes no Nepal e na China chega a 800

Buscas por 3 mil desaparecidos continuam na região; Nepal pede ajuda internacional para reconstrução

Imagem aérea mostra torrente de água barrenta avançando por casas e pelo rio Trishuli após as enchentes repentinas, em Betrawati, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 29 de agosto de 2026 | Foto: Prabin Ranabhat/AFP
Imagem aérea mostra torrente de água barrenta avançando por casas e pelo rio Trishuli após as enchentes repentinas, em Betrawati, no distrito de Nuwakot, no Nepal, em 29 de agosto de 2026 | Foto: Prabin Ranabhat/AFP

O número de pessoas desaparecidas nas enchentes catastróficas que atingiram a região de fronteira entre o Nepal e a China chegou a 3.048 neste domingo (30). Ao menos 768 pessoas morreram no desastre, enquanto equipes de resgate continuam as buscas por sobreviventes.

Segundo dados divulgados pelas autoridades dos dois países, o Nepal concentra a maior parte das vítimas. O governo nepalês informou que 2.502 pessoas estão desaparecidas ou incomunicáveis, entre elas 592 estrangeiros. O número de mortos no país subiu para 752.

O número de pessoas desaparecidas nas enchentes catastróficas que atingiram a região de fronteira entre o Nepal e a China chegou a 3.048 neste domingo (30). Ao menos 768 pessoas morreram no desastre, enquanto equipes de resgate continuam as buscas por sobreviventes.

Segundo dados divulgados pelas autoridades dos dois países, o Nepal concentra a maior parte das vítimas. O governo nepalês informou que 2.502 pessoas estão desaparecidas ou incomunicáveis, entre elas 592 estrangeiros. O número de mortos no país subiu para 752.

+ Vídeo mostra deslizamento devastador na fronteira do Nepal com Tibete

No Tibete, território administrado pela China, a emissora estatal CCTV informou que 546 pessoas estão desaparecidas e 16 morreram. Entre os desaparecidos na região, 261 são estrangeiros.

A tragédia ocorreu na quarta-feira (26), após o colapso de uma geleira em uma área de alta altitude próxima à fronteira. O desmoronamento provocou uma enorme torrente de gelo, rochas e outros detritos que desceu pelos rios e atingiu comunidades, estradas e instalações de infraestrutura.

Mais de 100 trabalhadores podem estar presos em túneis

As equipes de resgate também concentram esforços para localizar mais de 100 trabalhadores que podem estar presos dentro de túneis de usinas hidrelétricas atingidas pela inundação.

No sábado (29), o Exército do Nepal instalou um tubo em um dos túneis da usina hidrelétrica Trishuli 3A e começou a enviar ar para dentro da estrutura.

+ Menino que subiu em árvore para sobreviver à tragédia no Nepal reencontra mãe

Segundo o Ministério da Energia do Nepal, os socorristas perfuraram, escavaram e utilizaram explosivos para abrir quatro passagens no túnel. Depois, as equipes desceram por cordas para tentar alcançar os trabalhadores.

Agora, os profissionais trabalham para determinar a localização, as condições e a segurança das pessoas que podem estar presas no local.

Os trabalhadores fazem parte de um grupo de 933 funcionários de projetos hidrelétricos considerados desaparecidos nas margens dos rios atingidos pela torrente de detritos.

Chuvas durante a noite e a elevação do nível dos rios dificultaram as operações de resgate. Equipes especializadas da Índia, China e Coreia do Sul também foram mobilizadas para ajudar nas buscas.

Novo lago ameaça operações de resgate

Outro obstáculo surgiu neste domingo, com a formação de um novo lago próximo à fronteira com o Tibete.

O reservatório começou a se formar após um deslizamento de terra ocorrido a cerca de 2,8 quilômetros de outro lago que havia sido drenado nos últimos dias justamente por representar uma ameaça às operações de resgate.

Segundo a CCTV, o deslizamento provocou a formação de um novo lago represado. Por segurança, equipes que estavam próximas ao posto de fronteira de Gyirong foram deslocadas para áreas consideradas mais seguras.

O Ministério de Gestão de Emergências da China convocou especialistas para avaliar a situação. Mais tarde, a agência estatal Xinhua informou que foi estabelecida comunicação telefônica com o principal ponto de resgate no porto de Gyirong.

Reconstrução pode custar bilhões de dólares

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que a reconstrução após a tragédia pode custar “bilhões de dólares”.

Segundo ele, o governo ainda fará um levantamento detalhado das perdas e dos danos antes de definir os planos de reconstrução. Khanal também pediu apoio da comunidade internacional.

A Cruz Vermelha estima que até 93 mil pessoas tenham sido afetadas pelo desastre no Nepal.

No sábado (29), o governo nepalês pediu assistência financeira internacional e equipamentos especializados para as operações de resgate. Entre os itens solicitados estão drones de alta capacidade de transporte, kits para testes de DNA e unidades de armazenamento refrigerado para os corpos.

Os Estados Unidos e o Canadá anunciaram, cada um, cerca de US$ 3,6 milhões em ajuda humanitária. O Reino Unido ofereceu US$ 6,8 milhões, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) liberou US$ 2,5 milhões em financiamento emergencial.

A União Europeia anunciou US$ 2,3 milhões, e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) destinou mais de US$ 1 milhão e lançou um apelo emergencial para arrecadar US$ 31 milhões.

A Malásia também enviará sua equipe especial de busca e resgate, conhecida como SMART, para auxiliar nas operações. O país anunciou ainda US$ 1 milhão para os esforços de recuperação e assistência às vítimas.

Mudanças climáticas aumentam preocupação no Himalaia

A causa exata do colapso ainda está sendo investigada, mas autoridades e especialistas alertam para os riscos crescentes provocados pelas mudanças climáticas na região do Himalaia.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, que desencadeou uma torrente de detritos rio abaixo.

O chefe climático da ONU, Simon Stiell, afirmou que o episódio evidencia a vulnerabilidade dos ambientes montanhosos diante de eventos extremos.

As buscas por sobreviventes continuam, mas as condições meteorológicas, o aumento do nível dos rios e os novos deslizamentos de terra mantêm as operações de resgate em situação de risco.

*Com informações da AFP

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