O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (2) que a Venezuela ainda não está preparada para eleições. A afirmação ocorreu quase oito meses depois que o então líder venezuelano Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro.
“Simplesmente não me parece que eles estejam prontos ainda. Sabe, é algo muito recente. Nós os tiramos de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o governo”, disse o presidente, em referência à presidente interina Delcy Rodríguez.
Venezuela realizará eleições “quando estiver pronta”
Delcy Rodríguez disse que “haverá” eleições quando “a Venezuela estiver pronta“, em meio a negociações promovidas pelos Estados Unidos entre seu governo e setores da oposição, buscando viabilizar uma transição democrática.
“Não tenha dúvida disso, haverá um processo eleitoral, mas quando a Venezuela estiver pronta“, respondeu a um jornalista durante uma coletiva de imprensa em Caracas, após a assinatura de acordos energéticos de bilhões de dólares na presença do secretário de Energia americano, Chris Wright.
Participação dos Estados Unidos no petróleo venezuelano
Desde a captura e destituição do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, o governo americano vem buscando ampliar sua presença no setor petrolífero da Venezuela, segundo informações da Reuters.
Em 27 de agosto, uma reportagem do site Axios revelou que autoridades dos Estados Unidos negociavam com o governo interino venezuelano a possibilidade de assumir parte dos ativos petrolíferos do país, em conversas que incluiriam mais de 12 campos produtivos antes ligados a antigos dirigentes venezuelanos e a empresas chinesas.
Pelo modelo então em discussão, a Venezuela cederia aos EUA uma fatia capaz de mais que dobrar suas reservas de petróleo, enquanto empresas privadas ficariam encarregadas da exploração e do repasse de receita ao governo venezuelano.
No dia 28 de agosto, Trump confirmou a assinatura do acordo. Segundo o presidente, a negociação foi conduzida pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário da Guerra, Pete Hegseth, em conjunto com a presidente interina Delcy Rodríguez e empresas privadas, garantindo aos Estados Unidos o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo venezuelano.
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