A menos de oito semanas para as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump e o bilionário Elon Musk, que são os dois maiores financiadores de candidatos do Partido Republicano no pleito, começaram a liberar recursos para as campanhas.
Os republicanos enfrentam a perspectiva de perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso, enquanto pesquisas indicam que eleitores democratas estão mais motivados a votar. Nesse cenário, Trump disse a repórteres na semana passada que planeja destinar entre 400 milhões e 500 milhões de dólares para impulsionar candidatos republicanos nas eleições legislativas. O anúncio ocorre em um momento em que o índice de aprovação do presidente está estagnado no nível mais baixo de sua carreira política.
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O novo comitê de ação política No Going Back, afiliado a Trump, garantiu mais de 24,9 milhões de dólares em tempo de propaganda em seis estados decisivos. São eles Alasca, Geórgia, Michigan, Carolina do Norte, New Hampshire e Ohio, de acordo com a empresa de pesquisa AdImpact.
O America PAC, de Musk, e a MAGA Inc., principal braço de arrecadação de Trump, injetaram 2,4 milhões e 10 milhões de dólares, respectivamente, na disputa por uma vaga no Senado dos EUA pelo Texas nos últimos dias. Nessa corrida, o procurador-geral estadual Ken Paxton corre o risco de se tornar o primeiro republicano em décadas a perder uma eleição estadual para um democrata nesse estado.
Cerca de 6,9 milhões de dólares desse montante estão sendo gastos em anúncios de ataque contra o deputado estadual democrata James Talarico. Ele aparece com 2,1 pontos percentuais de vantagem sobre Paxton na média de pesquisas compilada pelo Silver Bulletin, projeto do analista Nate Silver.
“Os republicanos agora precisam gastar dinheiro de verdade para defender um mapa eleitoral ampliado”, disse o estrategista republicano Brad Dayspring, da Purple Strategies, em Alexandria, Virgínia. “Quando de repente você precisa investir milhões no Texas, o fato de o presidente Trump e Musk abrirem seus bolsos dá aos republicanos a capacidade de reforçar disputas vulneráveis sem esgotar recursos do restante do mapa.”
O America PAC aposta em um papel importante no esforço republicano para aumentar a participação eleitoral em estados chave. A estratégia do comitê de Musk inclui campanhas de porta em porta, publicidade digital e envio de correspondência antes da eleição, marcada para 3 de novembro.
Segundo registros federais, o comitê já gastou mais de 7 milhões de dólares em publicidade digital, mensagens de texto, ligações para eleitores, cartas e outros materiais impressos. Um porta-voz do grupo se recusou a comentar o assunto.
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Nova aliança de arrecadação de fundos
O fundo de campanha de Trump para as eleições de meio de mandato está apoiando a criação do novo comitê No Going Back, segundo uma pessoa a par do assunto que pediu para não ser identificada. Ainda não está claro qual parcela desses recursos seria destinada ao novo grupo.
A MAGA Inc., de Trump, e o No Going Back ainda não têm vínculo formal declarado entre si. Os dois comitês compartilham, porém, o mesmo tesoureiro, Charles Gantt, além do mesmo telefone e endereço de uma empresa em Massachusetts. Nem Gantt, nem a MAGA Inc., nem o No Going Back responderam a pedidos de comentário.
Segundo reportagem do jornal americano New York Times, o No Going Back gastou 49 milhões de dólares em reservas de publicidade apenas na terça e quarta-feira.
O motivo da criação do novo comitê de arrecadação, registrado na Comissão Eleitoral Federal em 1º de setembro, ainda não foi esclarecido. O estrategista republicano Ron Bonjean avalia que a medida ajuda a distanciar Trump e o movimento MAGA das doações de campanha, num momento em que parte dos eleitores demonstra desgaste com o presidente.
Peças publicitárias produzidas pelo novo grupo serão atribuídas ao No Going Back, e não à MAGA Inc., nome mais associado à marca política de Trump.
“É uma estratégia brilhante porque retira o MAGA do nome. Retira qualquer afiliação a Trump do nome. Tem um nome inofensivo com o qual ninguém vai se importar, ao contrário da MAGA Inc., que poderia afastar os eleitores independentes imediatamente”, disse Bonjean, que é sócio da empresa bipartidária de relações públicas Rokk Solutions, em Washington.
De acordo com a pessoa a par da operação, o novo comitê recorreu a alguns dos mesmos fornecedores usados pela MAGA Inc. A mesma fonte afirmou que, em agosto, funcionários da MAGA Inc. já sinalizavam a outros republicanos a intenção de criar um novo grupo de financiamento.
A data de registro do No Going Back também tem efeito prático. Pelas regras da comissão eleitoral, ela adia até o final de outubro a divulgação completa da lista de doadores do comitê. As eleições de meio de mandato são no dia 3 de novembro.
Na quarta-feira, Trump encerrou o primeiro dia da convenção de meio de mandato do Partido Republicano, realizada em Dallas, propondo pagar a cada adulto americano um valor de 5 mil dólares, batizado por ele de “dividendo Trump“, caso o partido vença as eleições para o Congresso. Não ficou claro como esse pagamento seria viabilizado, nem se haveria respaldo legal para a medida.
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