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Migrantes ficam nas ruas em Ceuta e moradores cobram resposta

Um incêndio queimou 42 tendas de migrantes em um acampamento improvisado

Dezenas de pessoas protestam contra onde de migração em Ceuta
Manifestantes exibem cartazes com os dizeres "Ceuta exige o retorno efetivo dos migrantes" (ANTONIO SEMPERE / AFP)

Nesta sexta-feira (11), um incêndio queimou 42 tendas de migrantes em um acampamento improvisado em Ceuta, no norte da África. Segundo bombeiros, o incêndio acidental começou a partir uma fogueira no Parque Industrial de Tarajal.

Os bombeiros combateram as chamas por quase duas horas e não registraram feridos. A cidade espanhola de Ceuta, no norte da África, vive um cenário de tensão um mês depois de mais de 70 mil migrantes cruzarem a fronteira a partir do Marrocos em busca de entrada na Europa.

A travessia em massa ocorreu nos dias 30 e 31 de julho e deixou milhares de pessoas em situação precária no território espanhol. A maioria dos migrantes retornou poucas horas depois, sem conseguir abrigo, comida, água ou meios para seguir viagem até a Espanha continental.

Migrantes dormem nas ruas e praias

Muitos dos migrantes que continuam em Ceuta vivem em acampamentos informais, dormem nas ruas ou nas praias e dependem de ajuda humanitária.

Entre os que permanecem em Ceuta está Otman Ianaya, de 40 anos, que disse ter atravessado a nado do Marrocos com a esposa e as duas filhas pequenas.

Segundo ele, a decisão foi motivada pela falta de trabalho no país de origem e pelo desejo de construir um futuro melhor.

Ianaya afirmou que ele e a família passaram dias ao relento até receberem lençóis e cobertores de voluntários. Todos os dias, ele enfrenta filas para receber comida da Cruz Vermelha.

Ceuta tem uma das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África, ao lado de Melilla, outro território espanhol no norte do continente africano.

A chegada repentina de milhares de pessoas pressiona os serviços públicos e os recursos do pequeno território, que tem cerca de 84 mil habitantes.

+Pelo menos 2 mil migrantes permanecem em Ceuta; autoridades divergem sobre total

Moradores protestam contra acampamentos

Com o passar das semanas, aumentaram a preocupação e a irritação entre moradores que dizem ter sido abandonados pelo governo espanhol.

Migrantes, incluindo crianças desacompanhadas, circulam pelas ruas enquanto o governo trabalha para ampliar alojamentos de emergência.

Também foram registrados episódios de violência, como brigas entre migrantes, apedrejamento de uma patrulha militar e relatos de agressão sexual.

A situação “está caótica, a ponto de ser impossível sair à rua”, afirmou Gema Guillen, que participou de um protesto contra um acampamento montado em frente a uma escola.

Moradores chegaram a entrar em confronto com a polícia durante atos que pediam a expulsão dos migrantes. Em uma ocasião, pertences de migrantes foram queimados em uma praia.

Na quarta-feira (9), dia da Festa de Ceuta, protestos também ocorreram em outras cidades da Espanha. Em Madri, cerca de 50 mil pessoas se reuniram no centro da capital, segundo as autoridades.

A oposição conservadora e de extrema direita aproveitou as manifestações para criticar a resposta do governo à crise.

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