O super El Niño deste ano deve causar cerca de 451 mil mortes associadas ao calor extremo até fevereiro de 2027, de acordo com um relatório do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago. No Brasil, os pesquisadores estimam 13,3 mil mortes.
A projeção não inclui os efeitos de secas, incêndios florestais e enchentes, que também devem se agravar com as altas temperaturas. Os pesquisadores indicam ainda que este pode ser o El Niño mais forte já registrado.
O número estimado de vidas perdidas equivale a cerca de 65 vezes a quantidade de mortos e desaparecidos na recente enxurrada no Nepal, que somou 6.800 pessoas. O estudo também aponta as regiões com maior número de vítimas previstas e onde ações imediatas teriam mais potencial de salvar vidas.
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Regiões mais afetadas
As mortes devem se concentrar de forma esmagadora no Sul Global. No Sahel, na África, o relatório estima 66.800 mortes adicionais nos próximos seis meses, quase metade delas na Nigéria, com 31.400 vítimas projetadas.
Ainda na região, a previsão é de 17.500 mortes no Sudão, 10 mil no Níger e 8 mil no Chade. No Sudeste Asiático, o calor extra deve provocar 19.400 mortes somadas nas Filipinas, no Vietnã, na Tailândia e no Camboja, além de outras 19.300 na Indonésia.
Para a Índia, o relatório estima 15.800 mortes adicionais. Na América do Sul, o país que mais deve ser atingido é o Brasil, onde o calor provocado pelo El Niño pode causar 13.300 mortes.
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Medidas de prevenção
Segundo o relatório, concentrar a resposta emergencial e as ações de adaptação nessas regiões prioritárias pode salvar dezenas de milhares de vidas. O laboratório mantém um inventário, atualizado com frequência, de medidas cuja eficácia foi comprovada por pesquisas revisadas por pares.
Entre essas medidas estão sistemas de alerta antecipado, centros de resfriamento e mecanismos de proteção para quem trabalha ao ar livre. Parte dessas iniciativas já está em curso, mas os novos dados mostram onde os esforços precisam ser reforçados.
Os pesquisadores defendem que o risco de morte por calor extremo ocupe um papel central no preparo para o El Niño. A recomendação é que essa frente caminhe ao lado das ações já adotadas para reduzir ameaças à segurança alimentar.
Perspectiva de longo prazo
O estudo descreve o El Niño deste ano como uma amostra do que está por vir, caso não haja novos investimentos em adaptação. As temperaturas registradas agora devem se tornar comuns em cerca de 20 anos por conta das mudanças climáticas.
Para o planejamento de longo prazo, o relatório cita alternativas promissoras, como previsões de temperatura mais precisas e acesso ampliado a tecnologias de resfriamento. A pesquisa do laboratório deve ajudar a identificar quais soluções funcionam e podem ser expandidas nas áreas mais vulneráveis.
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O que dizem os pesquisadores
Para Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab e professor de Economia da Universidade de Chicago, a ciência já permitia calcular o efeito das temperaturas sobre as colheitas e agora consegue estimar seu impacto sobre a mortalidade.
“É um número tão grande que se torna difícil de assimilar, mas ele é composto por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que trabalham, cuidam da família e vivem suas vidas”, afirma.
Greenstone acrescenta que o relatório mostra aos gestores públicos exatamente onde concentrar medidas emergenciais agora para salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses.
Para Tamma Carleton, chefe de pesquisa do laboratório, professora da Universidade da Califórnia em Berkeley e coautora do estudo, “ampliar a resposta emergencial e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas neste ano“.
A pesquisadora pondera, porém, que a solução não pode ser apenas emergencial. “Daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem o novo normal, não queremos viver em estado constante de emergência. Precisamos mobilizar recursos agora para desenvolver, implementar e avaliar as ferramentas de preparo e planejamento que vão salvar vidas nos próximos anos”, diz ela.
Os pesquisadores afirmam que vão atualizar as estimativas de mortes adicionais à medida que o El Niño avançar e que os novos dados serão divulgados publicamente.
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