A polícia da capital alemã, Berlim, colocou em prática nesta quinta-feira (24) um novo projeto de monitoramento em regiões com altos índices de criminalidade. O sistema usa inteligência artificial para analisar imagens e identificar automaticamente situações que possam indicar crimes ou episódios de violência.
Durante o período inicial de quatro semanas, as câmeras serão instaladas e ajustadas na região de Kottbusser Tor antes de começarem a ser utilizadas de forma ativa. Depois, a polícia pretende ampliar o sistema para outros bairros centrais classificados como “áreas de alta criminalidade”.
Em vez de reconhecimento facial, a tecnologia utilizará uma “IA espacial”, que analisa movimentos para identificar possíveis crimes e atos de violência.
Segundo a polícia, as câmeras serão conectadas a telas que permanecerão inativas e só serão ligadas para exibir informações quando o sistema de inteligência artificial emitir um alerta.
“O sistema pode, por exemplo, reconhecer se alguém caiu ou se uma bola de futebol foi chutada”, o que significa menos alarmes falsos, afirmou a polícia em comunicado. “Situações de violência e danos podem ser identificadas automaticamente e encaminhadas a um policial, que tomará a decisão” informaram sobre a necessidade de agir.
Apesar das garantias da polícia de que as rígidas regras alemãs de proteção de dados serão respeitadas, os planos provocaram reação de grupos preocupados com uma possível vigilância estatal excessiva.
Os alemães são especialmente zelosos com sua privacidade e desconfiados da vigilância estatal, uma herança das polícias secretas que atuaram durante antigos regimes totalitários — a Gestapo, da Alemanha nazista, e a Stasi, da Alemanha Oriental comunista.
Entre os críticos do novo sistema policial está o partido de extrema esquerda Die Linke, que venceu a eleição realizada no último domingo (20) na cidade-estado e espera iniciar em breve negociações com outros partidos para formar uma coalizão de governo.
No fim de agosto, os Die Linke apresentaram conjuntamente uma ação judicial contra a lei que permite o projeto de vigilância por inteligência artificial e concede outros novos poderes à polícia.
“Pode surgir um enorme superbanco de dados que romperia todos os limites do Estado de Direito”, afirmaram os partidos em um comunicado conjunto na ocasião. “Não está nada claro quais dados poderão ser processados no futuro e para quais finalidades”, argumentaram.
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