O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez nesta quinta-feira (24) na ONU uma defesa veemente das ações adotadas por seu governo na região. Seu discurso foi marcado por uma tentativa de combater o crescente isolamento internacional às vésperas de eleições em Israel.
O Brasil e outras delegações saíram durante o discurso, algo que acontece desde a Assembleia Geral da ONU em 2024. Com a movimentação, Netanyahu respondeu, chamando-os de “covardes morais”. Seus apoiadores na galeria entoavam em hebraico: “O povo de Israel vive”.
“Continuaremos a defender nosso Estado. Continuaremos a vencer porque não temos outra escolha. Nesta batalha contra os bárbaros, não tivemos parceiro maior do que o presidente Trump. Agradeço a ele. Agradeço a ele por sua liderança ousada”, disse ele.
Israel vem enfrentando um isolamento diplomático cada vez mais profundo desde que iniciou sua guerra em Gaza, em resposta aos ataques liderados pelo Hamas contra Israel há quase três anos.
Netanyahu não pode viajar para muitos países devido a um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, emitido contra ele. No início deste mês, aliados outrora inabaláveis – Reino Unido, França e Canadá – anunciaram sanções contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, o que suscitou uma reação moderada de Washington.
“Os líderes desses países optaram por ceder às multidões antissemitas. Optaram pela fraqueza. Optaram pela política de apaziguamento”, afirmou Netanyahu.
Ele minimizou o agravamento da violência na Cisjordânia ocupada por parte de colonos israelenses, descrevendo-a como “um punhado de jovens delinquentes, cerca de 150, que atiram pedras e derrubam oliveiras”.
“Ocasionalmente… eles ateiam alguns incêndios. Não suporto isso. Não tolerarei o vigilantismo. Somos um país de leis.”
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Protestos em Nova York
Várias centenas de manifestantes se reuniram perto da sede da ONU, com dezenas bloqueando o trânsito e entoando: “Parem de armar Israel, deixem Gaza viver” e “Parem de armar Israel, deixem o Irã viver”. A polícia os deteve.
Netanyahu aproveitou para rebater o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, por chamá-lo de criminoso de guerra. Os líderes da Europa Ocidental, disse o premiê israelense adiante em seu discurso, sucumbirem a “multidões antissemitas” e acusou tanto o Catar quanto a Turquia de espalhar mentiras sobre Israel.
“Vocês tentaram me impedir de vir aqui. Vocês tentaram. Tentaram me silenciar. Bem, vocês não podem me silenciar. Não podem silenciar a verdade”, disse Netanyahu sobre Mamdani.
Mamdani fez campanha eleitoral com a promessa de mandar prender Netanyahu por supostos crimes de guerra caso ele visitasse a maior cidade dos Estados Unidos. Porém, posteriormente afirmou ter concluído que não possuía autoridade legal para fazê-lo. Nesta semana, Mamdani descreveu Netanyahu como “o arquiteto de um genocídio horrível contra os palestinos”.
Esta é a primeira visita do Netanyahu a Nova York desde que Mamdani assumiu o cargo em janeiro.
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Eleições em Israel
A menos de cinco semanas das eleições gerais, Netanyahu falou por cerca de 40 minutos no que se configurou como um discurso de campanha, transmitido ao vivo no horário nobre da noite pelos quatro principais canais de televisão israelenses.
Antes de seu discurso, o governo de Netanyahu pagou para colocar 500 outdoors pró-Israel e anti-Irã, além de dezenas de caminhões exibindo mensagens de apoio a Israel por toda Manhattan, informou o gabinete de Netanyahu em um comunicado.
Netanyahu, que vem perdendo força nas pesquisas de opinião, destacou o que chamou de luta de Israel em sete frentes. O primeiro-ministro mais longevo de Israel, já havia transformado suas aparições na ONU em espetáculos visuais no passado, usando gráficos, diagramas e adereços para alertar sobre o programa nuclear do Irã, que Teerã afirma ser para fins civis.
Com informações da Reuters
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