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Suíça deve rejeitar proposta que endureceria regras de neutralidade

Proposta da direita radical previa incluir neutralidade "armada e perpétua" na Constituição e foi elogiada por Moscou

Bandeira da Suíça, vermelha com cruz branca, presa a um mastro na lateral de um barco, em primeiro plano. Ao fundo, um lago, uma fileira de prédios antigos com bandeiras na margem e uma montanha com o topo coberto de neve sob céu nublado.
Suíços foram às urnas neste domingo (27) para decidir sobre proposta que endureceria as regras de neutralidade do país (Crédito: Reprodução/Unsplash)

Uma projeção indica que os eleitores suíços devem rejeitar uma proposta que endureceria as regras de neutralidade do país. Segundo o levantamento do instituto gfs.bern, divulgado meia hora após o fechamento das últimas seções eleitorais neste domingo (27), 71% votaram contra a iniciativa.

O resultado representa uma derrota para a iniciativa defendida pela direita radical e classificada como “pró-Rússia” por seus críticos.

A neutralidade conta com amplo apoio entre os suíços, mas a tentativa de incluir uma definição rígida do conceito na Constituição revelou profundas divergências sobre o que ele significa na prática.

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O resultado esperado mostra que “continuamos comprometidos com essa política de neutralidade, que permite à Suíça adotar sanções e se posicionar no mundo”, declarou a deputada socialista Laurence Fehlmann Rielle à televisão pública suíça RTS.

Tradicionalmente, a Suíça adota uma neutralidade armada, mas a guerra da Rússia na Ucrânia reacendeu o debate sobre como esse princípio deve ser aplicado nos conflitos atuais.

Preocupada com a decisão do governo suíço de aderir à pressão econômica da União Europeia sobre Moscou, a organização soberanista Pro Suíça reuniu assinaturas suficientes para convocar um referendo, mecanismo previsto no sistema de democracia direta do país, sobre reforçar a neutralidade no texto constitucional.

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O governo, o Parlamento e a maioria dos grandes partidos se posicionaram contra a proposta, e as pesquisas de opinião já indicavam que boa parte do eleitorado também a rejeitaria.

A Rússia, que critica a Suíça por ter aderido às sanções europeias e acusa Berna de abandonar a neutralidade, elogiou a iniciativa, apelidada de “pró-Rússia” por parte dos opositores.

O texto previa que a Constituição garantisse à Suíça uma neutralidade “armada e perpétua”.

A medida impediria o país, que mantém a neutralidade desde 1516, de estreitar relações com a Otan. Ela também vetaria qualquer aliança militar, exceto em caso de ataque ao território suíço.

A proposta ainda proibiria a aplicação de sanções que não fossem determinadas pelas Nações Unidas.

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Debate sobre o alcance da neutralidade

Todos os lados do debate afirmaram querer preservar a neutralidade suíça. O governo e o Parlamento, no entanto, argumentaram que a iniciativa era rígida demais e reduziria a margem de manobra do país em um momento de tensões geopolíticas acentuadas.

“A neutralidade sempre foi aplicada com certo grau de flexibilidade“, disse o chanceler suíço, Ignazio Cassis, em um debate televisionado recente.

Embora a Suíça não pretenda suspender a proibição de venda de armas a países em conflito, incluindo a Ucrânia, Cassis ressaltou que “neutralidade não significa indiferença”.

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Segundo o chanceler, o país “não vai fechar os olhos quando virmos violações das próprias regras internacionais que nos permitem viver em paz“.

Quase todos os grandes partidos se opuseram à iniciativa, com exceção do Partido Popular Suíço (SVP), legenda de direita radical e a maior do país.

“Nosso objetivo é promover a paz, a diplomacia e o diálogo“, afirmou a vice-presidente do SVP, Celine Amaudruz, durante um debate na televisão.

“Para isso, precisamos manter a credibilidade por meio de uma neutralidade armada perpétua“, defendeu.

Embora as primeiras sondagens apontassem para uma disputa apertada, os dois últimos levantamentos indicavam que uma ampla maioria do eleitorado, bem acima de 60%, rejeitaria a proposta.

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