O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu autorizar a Ucrânia a fabricar interceptores Patriot, afirmou nesta sexta-feira (25) o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. A confirmação vem depois de o americano mudar de posição sobre o assunto diversas vezes.
Kiev enfrenta falta de mísseis capazes de conter os ataques russos, que seguem sem trégua. O mais recente matou um adolescente de 14 anos na capital ucraniana nesta sexta.
Em sua visita aos Estados Unidos nesta semana, Zelensky voltou a pedir ajuda para fortalecer a defesa antiaérea do país e obter permissão para produzir os interceptores Patriot, único sistema capaz de neutralizar os poderosos mísseis balísticos da Rússia.
“Em nosso último encontro, o presidente Trump me confirmou que sim, que havia tomado sua decisão final: a Ucrânia receberá licenças para a produção de mísseis Patriot“, declarou Zelensky a jornalistas, após se reunir com seu homólogo em Nova York.
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No início de julho, Trump deu a entender que concederia as licenças a Kiev. Semanas depois, porém, pareceu recuar ao dizer que Washington deveria ser “muito cauteloso” antes de permitir que a Ucrânia fabricasse os mísseis de defesa aérea.
Segundo o governo ucraniano, apenas os interceptores PAC-3, usados nos sistemas Patriot, conseguem abater mísseis balísticos. O equipamento é caro e difícil de obter, e a oferta mundial ficou ainda menor com a guerra entre Estados Unidos e Irã neste ano.
A Ucrânia afirma sofrer com uma escassez grave desses interceptores desde fevereiro, quando americanos e israelenses entraram em guerra com o Irã.
No início de setembro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que Washington negociava o tema com Kiev, mas ressaltou que a liberação das licenças não seria uma “solução imediata” para os problemas ucranianos.
No mês passado, Zelensky afirmou que o país precisaria de 5% dos interceptores Patriot dos Estados Unidos para atravessar o inverno no hemisfério Norte e de 10% para derrubar todos os mísseis balísticos lançados pela Rússia.
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O ataque russo desta sexta
Moscou, que antes concentrava os bombardeios no período noturno, tem atacado Kiev cada vez mais em plena luz do dia. Nesta sexta, um drone atingiu um prédio residencial da capital no horário em que os moradores seguiam para o trabalho e matou um jovem de 14 anos.
Zelensky condenou o ataque, que chamou de “um bombardeio absolutamente selvagem e repugnante, sem qualquer lógica militar”.
Jornalistas da AFP viram moradores reunidos em frente ao edifício de vários andares atingido pelo drone. Os apartamentos do nono e do décimo andar ficaram com marcas do fogo.
O profissional de informática Mikita Sisoyev, de 23 anos, contou que acordou com o barulho da explosão, mas só percebeu que o prédio atingido era o dele quando viu o noticiário.
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“É estranho: por um lado, me acostumei com isso, mas por outro, há gente morrendo o tempo todo“, disse, enquanto fumava do lado de fora do imóvel. Sobre o aumento dos ataques com drones, avaliou que “isto é uma corrida tecnológica e uma guerra tecnológica… Infelizmente, as pessoas vão sofrer enquanto buscamos soluções”.
Na região de Odessa, no sul da Ucrânia, uma pessoa morreu em um ataque a uma agência dos correios, segundo as autoridades locais.
Já as autoridades russas relataram a morte de três pessoas em um bombardeio ucraniano na área da região de Zaporíjia ocupada por Moscou, também no sul do país.
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