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Greve e protestos levam 200 mil às ruas e deixam 440 detidos na França

Paralisação de servidores e mobilizações estudantis aumentam a tensão social a poucos meses da eleição presidencial de 2027

Protesto estudantil com barricadas em chamas em Lille, na França. (Foto por SAMEER AL-DOUMY / AFP)

Cerca de 200 mil pessoas foram às ruas da França nesta terça-feira (29). Servidores públicos entraram em greve por salários e melhores condições de trabalho, enquanto estudantes entraram em confronto com a polícia em diferentes pontos do país. Ao todo, 440 pessoas foram detidas.

Mais de 170 marchas foram convocadas pelo país. Cerca de 200 mil pessoas participaram dos protestos em toda a França, segundo o Ministério do Interior. A CGT, por outro lado, estimou mais de 300 mil manifestantes

Os servidores cobram reajustes salariais, mais funcionários e melhores condições de trabalho. Desde 2017, o índice usado para calcular os salários do funcionalismo foi reajustado apenas duas vezes, em 2022 e 2023, somando pouco mais de 5%, enquanto a inflação acumulada no período deve chegar a 24,17% até o fim de 2026, segundo o instituto oficial de estatísticas Insee.

A paralisação acontece a dois dias da apresentação do orçamento francês. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou neste mês um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros, em meio à dívida pública em níveis recordes.

Por volta do meio-dia, quase 10% dos servidores da administração estatal estavam em greve, segundo dados do governo. Entre os professores, a adesão chegou a 13,71%.

Confrontos com estudantes deixam 440 detidos

Os protestos estudantis, que começaram na semana passada, também continuaram nesta terça. Grupos de adolescentes incendiaram contêineres de lixo e lançaram objetos contra policiais, que responderam com cassetetes e gás lacrimogêneo.

440 pessoas foram detidas e os confrontos também deixaram feridos, entre eles dez funcionários e vários alunos. O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou a abertura de ações judiciais pelos atos de violência.

Centenas de escolas de ensino médio continuaram com bloqueios e manifestações. Os estudantes reclamam principalmente da falta de professores, do tamanho das turmas, da organização dos horários e das salas superaquecidas durante as recentes ondas de calor.

Tensão aumenta antes da eleição de 2027

Os protestos acontecem a poucos meses da eleição presidencial francesa, marcada para abril e maio de 2027, depois de quase dez anos de governo de Emmanuel Macron.

Segundo as pesquisas citadas no material, Marine Le Pen aparece na liderança das intenções de voto. Édouard Philippe, Gabriel Attal e Jean-Luc Mélenchon aparecem entre os nomes que podem enfrentá-la em um eventual segundo turno.

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