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Estudantes ateiam fogo em duas escolas em meio a onda de protestos na França

Crise no ensino médio ganhou força após denúncias de falta de funcionários e prédios degradados

Escola Secundária Nelson-Mandela em Nantes em chamas
Escola Secundária Nelson-Mandela em Nantes em chamas (Créditos: Reprodução/X/@C_MORANCAIS)

A onda de manifestações de estudantes franceses se intensificou nesta quinta-feira (01), quando ao menos duas escolas foram incendiadas. Os atos começaram em meio a reclamações sobre falta de funcionários e condições precárias das instalações, segundo autoridades.

No colégio Victor Hugo, em Marselha, professores foram acidentalmente atingidos por respingos de gasolina quando um estudante tentava jogar o líquido em uma lixeira, informaram as autoridades locais. Anteriormente, a promotoria disse que os professores haviam sido agredidos e “regados com gasolina”.

Em outra escola da cidade, o colégio Saint-Exupéry, centenas de jovens cercaram um caminhão de bombeiros que havia chegado para apagar um incêndio pela manhã, informou a polícia. Os agressores forçaram os bombeiros a fugir do veículo e, em seguida, atearam fogo.

Outro incêndio atingiu uma escola na cidade de Nantes, no oeste do país, informaram as equipes de bombeiros.

Greve e manifestações levam 200 mil às ruas e deixam 440 detidos na França

O ministro da Educação da França, Edouard Geffray, disse na quinta-feira que se reuniria sucessivamente com representantes de sindicatos de funcionários, associações de pais e associações estudantis na sexta-feira.

As manifestações e bloqueios, que começaram na semana passada, se tornaram um ponto crítico político em um momento delicado para o governo, que anunciou na quinta-feira uma série de cortes de gastos profundamente impopulares em seu orçamento para 2027.

O gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu realizou uma reunião de crise na tarde de quinta-feira sobre os protestos, que deixaram dezenas de feridos. Centenas de pessoas também foram presas, a maioria delas adolescentes, segundo autoridades.

No subúrbio parisiense de Saint-Denis, multidões de jovens se aglomeraram diante de uma linha de policiais. Um estudante ergueu um cartaz com os dizeres: “Podemos nos explicar sem sermos atingidos por gás lacrimogêneo?”.

Os estudantes acusam a polícia de usar táticas repressivas, incluindo o uso de gás lacrimogêneo. O governo criticou a violência que eclodiu durante alguns dos protestos, mas afirmou que as dificuldades nas escolas de ensino médio devem ser reconhecidas e resolvidas.

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