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Mulher que seria executada nos EUA sobrevive a duas injeções letais

Após execução malsucedida, governador do Tennessee suspendeu as penas de morte previstas para este ano

Mulher de cabelo ruivo preso, com uniforme vermelho de presidiária sobre uma camiseta branca, caminha com expressão séria em um ambiente de paredes de madeira. Ao fundo há agentes de segurança uniformizados, um deles com distintivo em forma de estrela no peito.
Fotografia de dezembro de 2007 mostra a condenada à morte Christa Pike entrando em tribunal criminal do Tennessee, Estados Unidos (Foto: J. Miles Cary/REUTERS)

Uma mulher condenada à morte nos Estados Unidos sobreviveu a duas tentativas de execução por injeção letal no Tennessee, na noite de quarta-feira (30). Christa Pike, de 50 anos, chegou a receber as substâncias previstas no procedimento, segundo relatos citados por seus advogados, mas permaneceu viva e precisou ser transferida para uma unidade médica fora da prisão.

Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções previstas para este ano e determinou uma “revisão completa e independente” da tentativa de execução, segundo o jornal Nashville Tennessean. O estado não informou imediatamente o estado de saúde de Pike.

O Departamento Correcional do Tennessee defendeu o procedimento e afirmou ter seguido todas as etapas previstas no protocolo estadual.

“O Departamento Correcional do Tennessee seguiu cada uma das etapas do protocolo de execução legalmente estabelecido pelo estado e aprovado pelo Gabinete do Procurador-Geral”, afirmou o órgão.

Segundo o departamento, a substância utilizada para a injeção letal “tem demonstrado eficácia de forma consistente” e o protocolo não permitia a realização de procedimentos adicionais além daqueles feitos durante a tentativa.

Advogados tentaram interromper execução

Durante o procedimento, os advogados de Pike recorreram a um tribunal federal na tentativa de interromper a execução.

Segundo a NBC News, a defesa citou relatos de testemunhas de que os responsáveis pelo procedimento já haviam administrado as duas seringas com as substâncias da injeção letal, mas Pike continuava viva.

A tentativa de execução ocorreu horas depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar uma suspensão determinada por uma instância inferior, liberando o procedimento. Pike havia pedido clemência ao governador, mas o pedido foi rejeitado na segunda-feira (28).

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A execução despertou atenção pública e enfrentou oposição da defesa e de especialistas em direitos humanos. Entre os argumentos apresentados estavam a idade de Pike quando cometeu o crime, os abusos sexuais sofridos por ela durante a infância e problemas de saúde mental não tratados.

Esta foi a segunda tentativa de execução malsucedida no Tennessee neste ano. Em maio, autoridades penitenciárias interromperam a execução de um homem condenado por assassinatos após não conseguirem encontrar uma veia adequada para administrar a injeção letal.

Crime ocorreu em 1995

Pike foi condenada pela tortura e pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em Knoxville, em 1995.

Pike tinha 18 anos quando ela, o então namorado, Tadaryl Shipp, de 17 anos, e uma terceira pessoa atraíram Slemmer, colega do centro de formação profissional Job Corps, para uma área de mata.

Slemmer foi torturada e morta. A violência do crime ganhou ampla repercussão na imprensa norte-americana na época.

Pike e Shipp confessaram o crime e foram condenados por assassinato em primeiro grau. A mãe de Slemmer, May Martinez, manifestou apoio à execução.

*Com informações da Reuters

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