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Mulher que sobreviveu a injeção letal faz primeiro comunicado

Christa Pike foi a única pessoa a resistir a doses letais de drogas de execução nos EUA; ela relata dor constante

Mulher de cabelo ruivo preso, com uniforme vermelho de presidiária sobre uma camiseta branca, caminha com expressão séria em um ambiente de paredes de madeira. Ao fundo há agentes de segurança uniformizados, um deles com distintivo em forma de estrela no peito.
Fotografia de dezembro de 2007 mostra a condenada à morte Christa Pike entrando em tribunal criminal do Tennessee, Estados Unidos (Foto: J. Miles Cary/REUTERS)

Christa Pike, condenada à morte por assassinato, afirmou nesta sexta-feira (30) que sente dor o tempo todo, um mês depois de sobreviver a uma tentativa malsucedida de execução no estado do Tennessee, nos Estados Unidos.

“Não houve um momento desde aquela noite em que eu não tenha sentido dor”, declarou Pike em seu primeiro comunicado desde a tentativa de execução, divulgado por seus advogados.

“Meu corpo dói. Meus braços doem. Minhas mãos doem. Minha garganta dói”, relatou. “Ainda tenho dificuldade para falar. E a dor não é só física. Há dor na minha mente e na minha alma.”

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Pike, de 50 anos, recebeu duas doses do fármaco pentobarbital em uma prisão estadual no dia 30 de setembro. A quantidade costuma ser letal, mas não a matou. Ela foi levada ao hospital em estado crítico e voltou ao presídio depois de passar por atendimento médico.

Segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte (DPIC, na sigla em inglês), Pike é a única presa a sobreviver após receber doses letais de drogas usadas em execuções.

Pike foi condenada à morte por espancar e matar Colleen Slemmer, de 19 anos, com a ajuda do então namorado, em um centro de formação profissional. Na época do crime, ela tinha 18 anos.

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No comunicado, ela disse que está se recuperando, “mas se curar não é o mesmo que estar bem”.

“Não sei por que sobrevivi naquela noite”, afirmou. “Não sei o que vem a seguir. Alguns dias, encontrar esperança é mais difícil do que em outros. Por enquanto, estou tentando me recuperar, um dia de cada vez.”

Desde a execução fracassada, os advogados de Pike vêm pedindo repetidas vezes ao governador do Tennessee, o republicano Bill Lee, que converta a pena dela em prisão perpétua. Lee suspendeu as execuções no estado até a conclusão de uma investigação independente.

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Questionado por jornalistas nesta semana sobre o destino de Pike, o governador respondeu: “Imagino que a sentença dela continuará a mesma de antes, a menos que os tribunais decidam o contrário.”

Os Estados Unidos registraram 32 execuções neste ano, todas por injeção letal. A pena de morte foi abolida em 23 dos 50 estados do país, e outros três, Califórnia, Oregon e Pensilvânia, mantêm moratórias em vigor.

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