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Morre mulher de 87 anos que desencadeou protestos pró-moradia na Espanha

Maricarmen Abascal havia sido despejada após viver mais de sete décadas no mesmo apartamento

Maricarmen Abascal, de 87 anos, está dentro de sua casa na Calle Alcalde Sainz de Baranda, em Madri, em 2 de junho de 2026, onde morava há mais de 70 anos. Em 23 de setembro, ocorreu a quarta tentativa de despejo. Centenas de pessoas passaram a noite em frente ao prédio, tentando impedir o despejo. Ao amanhecer, a Polícia Nacional Espanhola isolou a área e removeu os manifestantes, com relatos de momentos de tensão e empurrões durante a operação. Oficiais de justiça entraram no prédio e Abascal foi finalmente retirada em uma maca e levada em uma ambulância
Maricarmen havia sido expulsa de seu apartamento, onde morava há 70 anos (Créditos: Francesco Militello Mirto / NurPhoto / NurPhoto via AFP)

Maricarmen Abascal, de 87 anos, cujo despejo do apartamento onde morava em Madri desencadeou uma onda de protestos por moradia na Espanha, morreu nesta quarta-feira (7), informou o Sindicato de Inquilinos de Madri.

“Lamentamos informar que no dia de hoje faleceu Maricarmen”, anunciou o sindicato em comunicado, no qual destacou o “exemplo de luta” da idosa e as reações ao despejo, que “representam um antes e um depois na história deste país”.

Maricarmen Abascal havia sido levada a um hospital de Madri depois de ser despejada, em 23 de setembro, do apartamento onde morou por quase sete décadas. A empresa proprietária do imóvel havia tentado aumentar o aluguel.

A imagem dela deixando o apartamento em uma maca, em meio aos gritos dos manifestantes que foram apoiá-la, provocou uma onda de protestos que se espalhou por várias cidades espanholas.

“O debate da moradia está no centro, mas o custo para chegar até aqui foi alto demais”, afirmou em nota o Sindicato de Inquilinas, que acompanhou a batalha judicial de Maricarmen.

“Após sua partida, ficamos com o exemplo de luta e o legado que Maricarmen deixou. E, acima de tudo, vamos cumprir o que ela sempre nos pedia: ‘Lutem, continuem lutando pelo que é de vocês'”, acrescentou.

Poucos dias depois do despejo, uma manifestação com milhares de pessoas em Madri pelo direito à moradia terminou com a instalação de um acampamento de protesto na Puerta del Sol, no centro da cidade.

O governo apresentou em seguida dois decretos com medidas para tentar conter a crise habitacional, mas os textos foram derrubados na sexta-feira (2) pela Câmara dos Deputados, em uma derrota para o governo de Pedro Sánchez. Na segunda-feira (5) , o primeiro-ministro convocou eleições antecipadas para 29 de novembro.

Pouco depois da notícia da morte de Maricarmen, os principais sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral para 11 de novembro, a menos de três semanas das eleições, principalmente por “melhores estratégias” e “moradia digna”.

Em comunicado conjunto, as Comisiones Obreras (CCOO) e a União Geral de Trabalhadores (UGT) conclamaram “os homens e mulheres do nosso país a se mobilizarem por melhores negociações, por uma moradia digna e pelo controle dos preços diante de uma inflação que corrói nosso poder de compra”.

+Governo da Espanha aposta em eleição antecipada em meio à crise da moradia

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