Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, Bally Bagayoko, prefeito da cidade francesa de Saint-Denis, aparece diante da polícia durante uma marcha em Paris na terça-feira (6), protegendo jovens manifestantes e gritando “parem”.
Bagayoko disse que vem apoiando os estudantes da cidade, que é um subúrbio operário de Paris, e que, durante os protestos, pediu à polícia que não avançasse.
“Eles decidiram avançar e, de fato, perseguir os estudantes, muitos dos quais não haviam demonstrado qualquer comportamento agressivo em relação aos policiais”, disse Bagayoko, que é do partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI), em entrevista à Reuters nesta quarta-feira, em seu gabinete na prefeitura de Saint-Denis, na periferia norte de Paris.
No fim, a polícia lançou gás lacrimogêneo contra o grupo, incluindo o prefeito, segundo ele. A onda de protestos estudantis, que começou nos subúrbios marginalizados de Paris, já dura mais de duas semanas e revelou uma indignação pública generalizada a seis meses da eleição que vai escolher o sucessor do presidente francês, Emmanuel Macron.
França suspende granadas de efeito moral em protestos de estudantes
Mais de 6 mil pessoas foram detidas e dezenas de estudantes ficaram feridos desde o início dos protestos. Grupos de direitos humanos e sindicatos acusam a polícia de usar táticas repressivas contra menores de idade, incluindo cassetetes, gás lacrimogêneo e armas não letais do tipo “flashball”. As autoridades afirmam que centenas de policiais também ficaram feridos, que escolas foram incendiadas ou saqueadas e que professores e moradores foram atacados.
Saint-Denis tem um dos piores índices de pobreza, sendo o dobro da média nacional na França. A cidade foi um dos palcos iniciais dos protestos, que tiveram início no fim de setembro contra salas de aula superlotadas e insalubres, a falta de professores e a desigualdade de oportunidades.
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