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França suspende granadas de efeito moral em protestos de estudantes

Medida foi anunciada após adolescente de 15 anos perder uma das mãos ao pegar artefato lançado pela polícia em Lens

Policiais com capacete e viseira em primeiro plano, à esquerda. Ao fundo, um grupo de estudantes reunido diante do portão gradeado de uma escola, com a palavra "Lycée" na parede e pichações em vermelho. Há cartazes de papel presos às grades.
Policiais fazem a segurança na entrada de um liceu em Bordeaux enquanto alunos chegam para as aulas (Crédito: Philippe Lopez/AFP)

O governo francês suspendeu o uso de granadas de efeito moral pela polícia nos protestos de estudantes do ensino médio nesta quarta-feira (7). A medida foi tomada depois que um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos por causa de um desses artefatos.

O anúncio partiu do ministro do Interior, Laurent Nuñez, em entrevista à rádio RTL. Ele afirmou que a restrição se aplica “apenas aos protestos de estudantes do ensino médio” e vai durar “somente pelo tempo necessário para compreender o que aconteceu“.

Segundo uma fonte sindical da polícia, o jovem se feriu ao segurar uma granada de dispersão disparada pelos agentes em Lens, no norte do país. No noroeste de Paris, outro estudante, de 14 anos, perdeu vários dentes após a explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo detonada muito perto dele.

Quase 500 presos na França nesta terça (6) em protestos por mudanças na educação

A mobilização, que cobra melhorias nas escolas, já levou à detenção de mais de 6.500 pessoas, a maior parte menores de idade. De acordo com o governo, 215 estudantes, 715 policiais e 85 integrantes do corpo docente ficaram feridos nos atos, que foram pacíficos em sua maioria, mas registraram episódios de violência.

Na terça-feira (6), uma nova jornada de protestos reuniu 256 mil estudantes, professores e pais. Após o ato, o governo negou que houvesse “repressão policial” contra os manifestantes. Nuñez informou que a polícia abriu 18 investigações internas sobre denúncias de má conduta desde o início das manifestações.

Reação política

A oposição de esquerda criticou a demora do governo. “Foi preciso que vários jovens ficassem mutilados para o resto da vida para que Nuñez desistisse de usar granadas contra estudantes do ensino médio”, declarou Manuel Bompard, coordenador nacional do partido A França Insubmissa (LFI).

Adolescente perde mão ao pegar granada em atos sobre escolas na França

Na outra ponta, a líder da ultradireita Marine Le Pen, que aparece como favorita nas pesquisas para a eleição presidencial de 2027, acusou o presidente Emmanuel Macron de ficar “sempre do lado daqueles que atacam a polícia”.

Sindicatos ligados à educação convocaram greve e novos protestos para esta quinta-feira (8).

Escolas bloqueadas

Desde setembro, jovens de 15 a 18 anos bloqueiam o acesso a centenas de escolas em protesto contra a falta de professores e a carga horária excessiva. Eles também denunciam salas de aula deterioradas e sem condições de enfrentar o aumento das temperaturas.

A maioria das escolas voltou a funcionar nesta quarta, mas mais de 500 continuavam parcialmente fechadas, com os acessos bloqueados por estudantes com lixeiras.

Estudantes e polícia entram em confronto durante protestos na França

Advogados que defendem adolescentes detidos relataram que seus clientes foram vítimas de agressões físicas e ofensas. Ainoha Pascual, que representa três menores em Paris, disse que eles foram “aterrorizados”.

“A imensa maioria chega ferida sob custódia“, afirmou a advogada, citando golpes de cassetete e jovens arrastados pelo chão. À AFP, Prisca Ancion, do Coletivo pela Ação Judicial, contou que todos os estudantes detidos relataram ter sofrido “insultos, tapas, pressão da cabeça contra o chão e golpes de estrangulamento”.

Protestos estudantis se espalham pela França; 6.100 pessoas foram detidas

Orçamento em debate

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu fará um pronunciamento ainda nesta quarta para tratar dos protestos e das contas públicas, em meio à disputa acirrada em torno do orçamento de 2027.

O governo propõe um ajuste fiscal de mais de US$ 60 bilhões (R$ 298 bilhões) para conter o déficit elevado e a dívida pública recorde. A aprovação no Parlamento, porém, é considerada difícil a poucos meses da eleição presidencial de 2027, que vai definir o sucessor de Macron.

 

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