Os houthis do Iêmen reivindicaram nesta quarta-feira (14) ataques contra uma instalação da petrolífera Aramco e o aeroporto de Riade, em mais um capítulo da crise com a Arábia Saudita, que preocupa o Fundo Monetário Internacional (FMI) pelo impacto global e regional.
O Ministério da Energia saudita informou que um prédio da Aramco em Dhahran, foi atingido na noite de terça-feira (13), o que provocou um incêndio de proporções limitadas.
A cidade abriga a sede da petroleira estatal, um complexo com vários edifícios e unidades de produção. Uma torre foi atingida durante a noite, disseram à AFP dois funcionários da empresa, que pediram anonimato.
A AFP não teve autorização para entrar no local e, por isso, não conseguiu verificar de forma independente a dimensão dos danos.
Os houthis afirmaram que atacaram uma empresa saudita em Dhahran, além do aeroporto de Riade e de uma refinaria na capital, e prometeram continuar os ataques.
Durante a manhã, foram ouvidas explosões no centro da capital saudita.
Nas últimas semanas, a maioria dos ataques teve como alvo instalações nos arredores da capital. A julgar pelos rastros de mísseis observados no céu, os bombardeios parecem agora se aproximar do centro da cidade.
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Preocupação do FMI
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que os ataques contra a Arábia Saudita podem ter impactos “em todos os lugares” e agravar as preocupações com a economia mundial.
“A economia saudita é importante para a região e para o mundo”, declarou Georgieva em entrevista coletiva durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc. “Neste sentido, estes desdobramentos têm efeitos colaterais negativos para todos, em todos os lugares.”
A intensificação do conflito aumenta o temor sobre o impacto da crise no Oriente Médio para o crescimento econômico mundial. Os preços do petróleo subiram desde que o Irã bloqueou o estreito de Ormuz, depois dos ataques americanos e israelenses contra o país, em fevereiro.
Os ataques dos houthis contra a Arábia Saudita não têm precedentes desde que a coalizão militar entrou na guerra no Iêmen, em 2015.
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O conflito, que teve uma trégua em 2022, foi retomado em julho, no contexto da guerra envolvendo o Irã. Em setembro, depois de uma ofensiva relâmpago, os houthis tomaram o litoral iemenita do mar Vermelho e reforçaram o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb.
Apesar dos ataques aéreos sauditas, as forças do governo têm dificuldade para retomar os territórios conquistados pelos houthis, que também reforçaram o controle sobre Taiz, a terceira maior cidade do país.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou que os combates impediram a entrega de assistência a cerca de 800 mil pessoas.
“Os hospitais e centros de saúde estão sobrecarregados”, alertou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que mencionou um aumento “sem precedentes” no número de feridos de guerra.
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